
Cofundador da Ocre Capital e editor do Acorda Investidor
Mais de 15 anos no mercado financeiro, com passagens por XP, Guide Investimentos e Banco Safra.
Comitê de Outubro de 2026: o Fed subiu, o Brasil reprecificou em um dia e a decisão que importa ainda não foi tomada
A leitura completa do mês, classe por classe, com a matriz de convicção, os cenários para os próximos seis a doze meses e o que o primeiro turno muda, e o que não muda, em uma carteira diversificada.
Escrevo este material uma vez por mês para responder a uma pergunta que ouço com frequência nas reuniões: o que mudou de verdade? Não é um relatório de notícias, nem uma lista de palpites sobre o próximo movimento do mercado. É o registro de como leio o cenário, quais riscos estou monitorando, onde vejo prêmio suficiente para justificar risco e, principalmente, onde a melhor decisão continua sendo não fazer nada.
Ele nasce separado da carta de acompanhamento que cada cliente recebe com a performance da própria carteira. Aqui não olho para nenhum portfólio específico. Olho para o ambiente. Depois, a conversa individual traduz esse ambiente para os objetivos, o horizonte e o perfil de cada um, que é justamente como funciona o atendimento que faço.
Publico este material aberto porque acho que o investidor pessoa física merece ver o mesmo raciocínio que orienta as carteiras que acompanho, e não apenas a conclusão. Se você é novo por aqui, comece por aqui.
Como leio números neste material. Trabalho com probabilidades, não com previsões. Sempre que escrevo “tende a”, “no cenário-base” ou “aumenta a probabilidade”, estou descrevendo o desfecho que considero mais provável, e não o único possível. Nenhuma linha aqui é promessa de rentabilidade, e nada disso é recomendação individual de compra ou venda.
Sobre a eleição. Este comitê fala de eleição porque ela move preço de ativo, não porque eu tenha candidato. Descrevo como o mercado leu o resultado do primeiro turno e quais riscos isso cria para uma carteira. Não atribuo probabilidade ao resultado do segundo turno e não faço juízo político de nenhum dos lados.
Arquivo do comitê. Esta página traz sempre a edição mais recente, atualizada todo mês na mesma URL. As anteriores continuam no ar, como foram escritas: comitê de setembro de 2026, comitê de agosto de 2026 e comitê de julho de 2026.
1. Resumo executivo
O que mudou no mês. Três coisas. A primeira: o Federal Reserve subiu os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, por decisão unânime. É a primeira alta desde julho de 2023 e era justamente o maior risco que eu apontava no comitê de setembro. A segunda: o aperto deixou de ser americano. O Banco Central Europeu e o Banco do Japão também subiram juros, e as taxas longas de Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido renovaram máximas de décadas. A terceira, e a que mais mexeu nos preços brasileiros: o primeiro turno da eleição, em 4 de outubro. No dia seguinte o Ibovespa subiu 7,7%, a maior alta diária desde 2020, a curva de juros fechou mais de 130 pontos-base em alguns vencimentos e o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,00.
O que permaneceu igual. Os fundamentos que sustentam o meu cenário de fundo. A dívida bruta brasileira segue em trajetória de alta, perto de 83% do PIB. A inflação segue acima da meta aqui e lá fora. O ciclo de crédito corporativo segue virando. E o Copom seguiu o roteiro que eu esperava, com corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,75%.
O principal tema. A diferença entre preço e fundamento. Em um único pregão, o mercado precificou um cenário fiscal mais favorável para 2027. O fundamento que justificaria esse preço, uma agenda econômica aprovada e executada, ainda não existe: depende do segundo turno, em 25 de outubro, e da capacidade de implementação de quem vencer. Parte relevante da melhora já está no preço, e o evento que confirma ou desfaz essa leitura ainda vai acontecer.
O maior risco. Uma reversão da reprecificação doméstica depois do segundo turno, combinada com juros globais mais altos. São riscos que se somam: se o prêmio de risco brasileiro voltar a abrir enquanto as Treasuries de 30 anos rodam perto de 5,70%, não sobra amortecedor para os ativos locais.
A principal oportunidade. Continua sendo a renda fixa prefixada de prazo curto e intermediário, a tese que abri em setembro e que se confirmou no mês. O IRF-M rendeu 2,09% em setembro, quase o dobro do CDI. A segunda oportunidade é nova: com o real em R$ 5,00, recompor a exposição estrutural em dólar ficou mais barato do que esteve em quase todo o ano.
O cenário ficou mais favorável ou menos favorável? Mais favorável para o Brasil e menos favorável para o exterior. Para ativos de risco em geral, o saldo é neutro, porque a melhora doméstica depende de uma confirmação que ainda não veio, e a piora global é um fato já em curso.
Ação ou paciência? Paciência ativa. Mantenho o nível de risco das carteiras e sigo com os dois movimentos graduais que já estavam em andamento: prefixados no trecho curto e intermediário e redução de crédito privado de maior risco. Acrescento um terceiro, também gradual: recompor dólar estrutural com o real forte. Não aumento bolsa brasileira antes do segundo turno. Correr atrás de uma alta de 7,7% em um dia é decidir com o retrovisor.
Semáforo geral dos mercados
O que mudou no semáforo desde setembro. Uma casa. O exterior voltou de verde para amarelo. Não foi por queda de preço, o S&P 500 até subiu 0,2% em setembro. Foi por mudança de fundamento: o Fed voltou a subir juros, o BCE e o Banco do Japão foram na mesma direção e a energia voltou a ser um vetor de inflação. Lucro forte com custo de capital subindo é um ambiente diferente de lucro forte com custo de capital estável. O Brasil segue amarelo, agora com viés de melhora, e mantive o crédito privado em vermelho.
2. O que aconteceu no mês
O Fed subiu os juros pela primeira vez desde 2023
O que aconteceu. Depois de cinco reuniões sem alteração, o comitê de política monetária do Fed elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, por unanimidade. O presidente Kevin Warsh descreveu o movimento como a retirada de uma dose de acomodação, e não como um ciclo de aperto, e evitou dar qualquer indicação sobre os próximos passos. As novas projeções dos membros do comitê indicam mais uma alta em 2026, com a taxa mediana em 4,125% no fim do ano, mantida em 2027. A inflação ao consumidor de agosto subiu 0,4% no mês e acumula 3,4% em doze meses, com o núcleo acima do esperado.
Por que foi relevante. Porque encerra uma dúvida que pesava sobre a renda fixa global desde o meio do ano: se o Fed estava disposto a agir contra a inflação. A decisão unânime e a dispersão menor entre os votantes reduziram essa desconfiança. O preço disso é um juro mais alto por mais tempo. A taxa de equilíbrio de longo prazo projetada pelo comitê subiu para 3,20%, e a convergência plena da inflação à meta de 2,0% passou a ser esperada só em 2029.
Como o mercado reagiu. A curva americana subiu inteira, entre 20 e 50 pontos-base, com a maior abertura nos vencimentos de três a sete anos. A taxa de 30 anos se aproximou de 5,70%. O índice do dólar contra as principais moedas, o DXY, subiu 2,5% no mês.
A reação pareceu racional? Sim. O mercado passou a precificar pelo menos mais uma alta nas reuniões que restam no ano, o que é coerente com as projeções do próprio Fed. A abertura concentrada no miolo da curva diz que o mercado espera juro alto por um período mais longo, e não um choque pontual.
Estrutural ou tático? Tático na decisão, estrutural no recado. Convicção alta de que o juro americano não volta para os patamares de 2025 no horizonte de doze meses.
Impacto nos próximos meses. Pressão sobre ativos de prazo longo no mundo todo, dólar mais firme contra moedas de países desenvolvidos e menos espaço para o prêmio de risco de países emergentes fechar.
O aperto virou movimento global
O que aconteceu. O BCE elevou os juros em 0,25 ponto percentual e revisou para cima as projeções de inflação dos próximos dois anos, citando o efeito do conflito no Oriente Médio. O Banco do Japão subiu a taxa para 1,25%, a maior desde 1995, com dois votos dissidentes. Na França, a taxa de dez anos se aproximou de 5%, o maior nível desde 2002, e o diferencial em relação à Alemanha chegou ao ponto mais alto desde a crise da dívida europeia de 2011 e 2012.
Por que foi relevante. Porque confirma, com mais força, a tese central do comitê de setembro: juros longos estruturalmente mais altos no mundo desenvolvido, alimentados por déficits fiscais, rolagem de dívida e disputa por capital com os investimentos em inteligência artificial. Agora se soma um quarto vetor, o choque de energia.
Estrutural ou tático? Estrutural. Horizonte de anos, convicção alta.
Petróleo acima de US$ 108 e o diesel em recorde
O que aconteceu. O conflito no Oriente Médio ganhou uma nova camada. Os Houthis, grupo rebelde iemenita apoiado pelo Irã, tomaram o litoral oeste do Iêmen, incluindo a cidade portuária de Mocha, o que lhes dá mais controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, e retomaram ataques contra a Arábia Saudita. O oleoduto que permitia aos sauditas desviar exportações do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho foi atacado. O Brent chegou a superar US$ 108 por barril.
Como o mercado reagiu, e como a oferta respondeu. No início de outubro, os países do G7 anunciaram, por meio da Agência Internacional de Energia, a liberação coordenada de 100 milhões de barris de reservas estratégicas ao longo de quatro meses, com prioridade para o diesel. O Brent recuou para abaixo de US$ 100. A OPEP+ manteve suas metas de produção para outubro e novembro.
A reação pareceu racional? A queda depois do anúncio me parece adequada para o curto prazo, mas insuficiente como solução. Reserva estratégica alivia o preço por alguns meses e não resolve a restrição de escoamento e de refino. O diesel nos Estados Unidos acumula alta de cerca de 112% em 2026, contra cerca de 58% do petróleo. É um derivado que contamina frete, agricultura, mineração e indústria.
Estrutural ou tático? Tático no preço, com um componente estrutural nas cadeias de refino. Convicção média.
Impacto nos próximos meses. A energia volta a ser o principal vetor de risco inflacionário global. Para o Brasil, o efeito é duplo: ajuda a balança comercial e o resultado das empresas de petróleo, e pressiona inflação e transporte.
O primeiro turno e a reprecificação em um único pregão
O que aconteceu. No primeiro turno, em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos e o presidente Lula, 45,16%, pela totalização do TSE. A disputa vai ao segundo turno em 25 de outubro. O desempenho do candidato da oposição superou a média das pesquisas. Para o Congresso, os dados preliminares indicam uma recomposição relevante a partir de 2027, com a direita ampliando sua participação na Câmara e no Senado.
Como o mercado reagiu. Com força incomum. O Ibovespa subiu 7,7% em 5 de outubro e se aproximou dos 207 mil pontos. A curva de juros fechou mais de 130 pontos-base em alguns vencimentos, e a volatilidade levou à suspensão temporária das negociações no Tesouro Direto pela manhã. O dólar caiu 4,12%, a maior queda diária desde 2018, e fechou em R$ 5,00, depois de tocar R$ 4,95.
A reação pareceu racional, exagerada ou insuficiente? Racional na direção e, na minha leitura, adiantada na intensidade. O mercado leu o resultado como aumento da probabilidade de uma agenda econômica mais voltada ao equilíbrio fiscal, e reduziu o prêmio de risco que vinha embutido nos preços. Essa leitura é legítima. O que me preocupa é a velocidade: um resultado de primeiro turno com diferença inferior a dois pontos percentuais virou, em um dia, um movimento que muitos índices levam meses para fazer. Parte relevante do cenário favorável já está no preço antes do evento que o confirma. E qualquer que seja o resultado, quem governar em 2027 encontra a mesma aritmética: dívida bruta perto de 84% do PIB e déficit primário em piora.
Estrutural ou tático? O movimento de preço é tático. A recomposição do Congresso é estrutural, porque vale para os próximos quatro anos independentemente do segundo turno. Convicção média sobre o primeiro, alta sobre o segundo.
Impacto nos próximos meses. Volatilidade elevada até 25 de outubro e uma reprecificação adicional, em qualquer direção, logo depois. É o tipo de evento binário em que a carteira diversificada protege mais do que qualquer aposta.
O Copom cortou e manteve a porta aberta
O que aconteceu. O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75%, por unanimidade. O comunicado manteve a avaliação de assimetria altista no balanço de riscos para a inflação e não deu sinalização clara sobre os próximos passos. A ata destacou o efeito do longo período de juros altos sobre o crédito, especialmente o de prazo mais longo. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante, seguiu em 3,2%.
Por que foi relevante. Porque o Banco Central brasileiro cortou juros no mesmo mês em que o Fed, o BCE e o Banco do Japão subiram. Isso reduz o diferencial de juros que sustenta o real, e mesmo assim o real foi uma das moedas mais fortes do mês. Termos de troca favoráveis, balança comercial forte e investimento direto em 3,5% do PIB explicam essa resiliência.
Estrutural ou tático? Tático. A leitura de que a ata sinaliza novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro é a mais provável, mas depende de inflação e câmbio.
Inteligência artificial passou a gerar volatilidade, não só otimismo
O que aconteceu. O presidente da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo defendendo uma desaceleração do ritmo de avanço dos modelos de IA por razões de segurança. A proposta teve apoio de líderes da OpenAI, Google e xAI, e o presidente Donald Trump se posicionou contra. Ações de semicondutores recuaram nos dias seguintes, com quedas de cerca de 3% na Nvidia e acima de 4% em Micron e Intel.
Por que foi relevante. Não invalida a tese estrutural de crescimento do setor. Introduz um risco que o mercado vinha precificando pouco: o regulatório. Em índices globais muito concentrados em poucos nomes ligados ao tema, isso importa para a carteira inteira.
Estrutural ou tático? Tático nas quedas, estrutural na questão regulatória. Convicção média.
Trégua comercial entre Estados Unidos e China
O que aconteceu. A visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, entre 23 e 25 de setembro, resultou em redução recíproca de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos, na criação de um conselho bilateral de comércio e em um diálogo sobre inteligência artificial. A trégua foi estendida até 10 de janeiro, com nova rodada prevista para novembro.
Por que foi relevante. O escopo é limitado, mas reduz no curto prazo o risco de nova escalada tarifária entre as duas maiores economias. É uma fonte de risco que sai do topo da lista, sem desaparecer.
Período: setembro de 2026 e acumulado de 2026 até 30/09/2026. Unidade: retorno em %, com índices globais convertidos para reais e com hedge cambial.
Leitura. Setembro inverteu o padrão do ano. O Ibovespa subiu 5,03% e o IMA-B, 3,15%, enquanto toda a renda fixa internacional caiu, com perdas entre 1,73% e 2,28%, e o índice global de ações recuou 0,62%. No acumulado de 2026, a liderança segue com as ações globais, 19,23%, seguidas pelo Ibovespa, 15,65%. Os fundos imobiliários seguem como a única classe negativa no ano, com queda de 0,53%.
Implicação para os investimentos. Dois pontos. O primeiro: esses números são anteriores ao primeiro turno, e o ganho de setembro nos ativos brasileiros veio do fechamento da curva de juros, antes da euforia de 5 de outubro. O segundo: quem tinha prefixado e inflação na carteira foi pago por esperar, e quem tinha renda fixa internacional de prazo longo sentiu a alta das Treasuries. É a confirmação prática de por que trabalho com duration curta lá fora. O ponto de inflexão do mês foi a reunião do Fed: a partir dela, o desempenho da renda fixa global se descolou do da brasileira.
Fonte: Quantum e Bloomberg, com elaboração da Alocação XP, data-base 30/09/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.3. Cenário macroeconômico global
Estados Unidos
Atividade e emprego. A economia segue resiliente, sustentada por consumo, investimento em tecnologia e lucros corporativos. O próprio Fed revisou o crescimento esperado para 2026 de 2,2% para 2,3%. É uma revisão pequena, mas na direção que dificulta o trabalho do banco central: atividade mais aquecida do que o previsto. Os materiais deste mês não trazem dados novos de emprego que permitam confirmar ou descartar a fragilidade que eu apontava em setembro, quando a criação líquida de vagas de julho veio negativa. Sobre esse ponto, os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura.
Inflação. A inflação ao consumidor de agosto subiu 0,4% no mês e acumula 3,4% em doze meses, em linha com o esperado, mas o núcleo surpreendeu para cima. O Fed elevou a inflação esperada para 2026 para 3,7% e só espera a convergência plena à meta de 2,0% em 2029. O choque de energia, com o diesel acumulando cerca de 112% de alta no ano, é o principal motivo pelo qual a melhora tende a ser lenta.
Política monetária e comunicação. O Fed voltou a operar de forma previsível. A decisão unânime, a dispersão menor nas projeções, com 12 dos 18 participantes concordando com a taxa entre 4,00% e 4,25% no fim de 2026, e a linguagem de Warsh reduziram a desconfiança sobre a condução da política monetária. Para o investidor, isso tem dois lados. O lado bom: menos risco de um banco central que hesita diante da inflação. O lado ruim: juro mais alto por mais tempo, com a taxa de equilíbrio de longo prazo agora estimada em 3,20%.
Curva de juros e risco fiscal. A curva subiu entre 20 e 50 pontos-base no mês, e a taxa de 30 anos se aproximou de 5,70%. A cautela com a sustentabilidade fiscal segue pressionando a parte longa. Não houve neste mês nenhum fato novo que me faça rever o diagnóstico de setembro: o problema dos juros longos americanos é estrutural.
Dólar. O DXY subiu 2,5% em setembro, sustentado pela expectativa de juros mais altos. Contra o real o movimento foi o oposto, o que mostra que o câmbio brasileiro respondeu mais a fatores domésticos do que ao dólar global.
Valuation. O S&P 500 subiu apenas 0,2% em setembro e acumula 19,16% no ano, em reais e com hedge. A sustentação continua vindo dos lucros, não apenas da expansão de múltiplo. O que mudou é o custo de capital: com a Treasury de 10 anos perto de 5,30%, a margem para erro na valuation das empresas mais caras ficou menor.
Implicações para os mercados. Renda fixa americana de prazo longo exige mais cautela do que em setembro. Renda variável americana segue com fundamento, mas com prêmio de risco menor em relação aos títulos do governo. O dólar global tende a seguir firme enquanto o Fed for o banco central mais duro entre os grandes.
Período: curva no início de setembro e no início de outubro de 2026. Unidade: taxa em % ao ano, por vencimento.
Leitura. A curva subiu inteira, entre 20 e 50 pontos-base. O vencimento de um ano saiu de cerca de 4,13% para 4,46%; o de dez anos, de cerca de 4,78% para 5,28%; o de 30 anos, de cerca de 5,24% para 5,63%. A maior abertura veio no miolo, entre três e sete anos.
Implicação para os investimentos. Abertura concentrada no miolo é a assinatura de um mercado que espera juro alto por mais tempo, não um choque de um dia. Para a carteira, isso confirma duas decisões: duration curta na renda fixa internacional e cautela com ativos que dependem de queda rápida dos juros americanos. O ponto de inflexão foi a reunião do Fed de setembro, com a primeira alta desde julho de 2023. A taxa de 30 anos acima de 5,50%, gatilho definido no comitê de setembro, foi atingida.
Fonte: Refinitiv, com elaboração da Alocação XP, data-base 02/10/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital, com valores lidos de forma aproximada a partir do gráfico original.Europa
Atividade. Os materiais deste mês não trazem dados de atividade da zona do euro. Sobre esse ponto, os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura.
Inflação e política monetária. O BCE elevou os juros em 0,25 ponto percentual e revisou para cima as projeções de inflação dos próximos dois anos, citando a pressão gerada pelo conflito no Oriente Médio. É uma mudança de direção relevante: até poucos meses atrás, o debate europeu era sobre quanto mais cortar.
Riscos fiscais e políticos. A França é o foco. A taxa de dez anos se aproximou de 5%, o maior nível desde 2002, e o diferencial em relação aos títulos alemães atingiu o ponto mais alto desde a crise da dívida europeia de 2011 e 2012. Com dívida pública perto de 119% do PIB, o governo apresentou um orçamento para 2027 com ajuste de cerca de € 54 bilhões, cuja votação está prevista para 17 de novembro. Em um parlamento fragmentado, a aprovação não é dada.
Implicações para os ativos. Em setembro eu indicava aumento gradual em ações de países desenvolvidos fora dos Estados Unidos, como contrapeso à concentração americana. O argumento de diversificação continua válido, mas o ambiente europeu ficou mais exigente, com juros subindo e risco fiscal concreto na segunda maior economia do bloco. Por isso pauso os aumentos e mantenho a posição.
China
A informação relevante do mês é comercial: a trégua com os Estados Unidos foi estendida até 10 de janeiro, com redução recíproca de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos e nova rodada de negociação prevista para novembro. Os líderes também sinalizaram que nenhum país deve cobrar pedágio por passagem em vias marítimas internacionais, o que é relevante no contexto de Ormuz e Bab el-Mandeb. Sobre crescimento, setor imobiliário, estímulos e consumo, os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto. O que posso afirmar de forma indireta é que os termos de troca brasileiros seguem favoráveis, o que costuma indicar demanda externa razoável por commodities.
Japão
O Banco do Japão subiu a taxa para 1,25%, a maior desde 1995, e sinalizou novos aumentos. A decisão não foi unânime, e a aparente falta de urgência levou a uma depreciação adicional do iene. Os títulos japoneses de dez anos superaram 3,0%. O Japão importa porque é historicamente um grande financiador do mundo: juro japonês mais alto reduz o incentivo para o investidor local aplicar fora, o que retira demanda das Treasuries e de outros títulos longos.
Geopolítica
Concentro a análise no que afeta preço de ativo. O conflito no Oriente Médio voltou ao centro por causa da oferta de petróleo. A ofensiva dos Houthis no Iêmen deu ao grupo mais controle sobre Bab el-Mandeb, e o ataque ao oleoduto saudita Leste-Oeste reduziu a alternativa de escoamento que contornava Ormuz. A Arábia Saudita ficou com dupla vulnerabilidade. O pedido de Mohammad bin Salman por uma intervenção americana não foi atendido, porque abriria uma nova frente de guerra para os Estados Unidos.
O canal de transmissão é claro: petróleo e derivados mais caros, inflação global mais resistente, bancos centrais mais duros. A liberação de 100 milhões de barris das reservas estratégicas alivia o preço nos próximos meses, mas não resolve a restrição física. No outro sentido, a trégua entre Estados Unidos e China reduz o risco de uma nova rodada de tarifas no curto prazo.
Período: de 31/12/2025 ao início de outubro de 2026. Unidade: variação acumulada de preço, em %, nos Estados Unidos.
Leitura. O petróleo WTI acumula alta de cerca de 58% no ano; a gasolina, de cerca de 94%; o diesel, de cerca de 112%. O diesel atingiu recorde em setembro, quando o Brent superou US$ 108, e recuou parcialmente depois do anúncio de liberação de reservas estratégicas pelo G7.
Implicação para os investimentos. O choque de energia deixou de ser um problema só do petróleo bruto e chegou ao refino. Diesel é custo de frete, agricultura, mineração e indústria, e por isso contamina a inflação de forma mais ampla e mais lenta. É o motivo principal pelo qual não espero alívio rápido nos juros dos países desenvolvidos. Para o Brasil, ajuda a balança comercial e pressiona o IPCA pelo transporte e pelos alimentos.
Fonte: Refinitiv, com elaboração da Alocação XP, data-base 02/10/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital, com a variação no fim do período lida de forma aproximada a partir do gráfico e do texto originais.Balanço do cenário global
Vetores positivos: lucros corporativos ainda fortes, puxados por tecnologia e infraestrutura digital; Fed com comunicação mais previsível; trégua comercial entre Estados Unidos e China; resposta coordenada do G7 ao choque de oferta de petróleo.
Vetores negativos: aperto monetário sincronizado entre Fed, BCE e Banco do Japão; juros longos em máximas de décadas nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão; risco fiscal concreto na França; energia como fonte persistente de inflação; risco regulatório novo no tema de inteligência artificial.
Cenário-base para três a seis meses. Crescimento global resiliente, sem recessão, com inflação cedendo devagar e bancos centrais mais duros do que se esperava no meio do ano. Taxas longas oscilando em patamar alto, com episódios de estresse ligados a dados de inflação, ofertas de dívida e notícias do Oriente Médio. Nesse ambiente, a renda variável global tende a seguir sustentada pelos lucros, mas com retorno esperado menor e volatilidade maior do que no primeiro semestre.
4. Cenário macroeconômico do Brasil
Atividade: a desaceleração que o Banco Central queria
O PIB do segundo trimestre avançou 0,5%, abaixo do 1,1% do trimestre anterior, com recuo de 0,4% no consumo das famílias e maior dependência da agropecuária. A produção industrial caiu 0,6% em agosto. Os indicadores de confiança do consumidor e do empresário seguem em queda, e a expectativa é de crescimento significativamente menor em 2027. A projeção que utilizo é de 1,7% em 2026 e 1,0% em 2027.
O mercado de trabalho continua sendo a exceção. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível da série, com número recorde de ocupados. O ritmo de criação de vagas formais, porém, vem perdendo força, e o saldo acumulado no ano pelo Caged é o menor desde 2020. É o desenho típico de uma economia que desacelera: o emprego é a última variável a virar.
Inflação: a surpresa que não pode ser ignorada
O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, acima da projeção de mercado de 0,55%, e levou o acumulado em doze meses para 4,47%. Parte da alta era esperada, pela reversão do Bônus de Itaipu nas contas de energia. O que preocupa é que a surpresa foi disseminada entre preços livres, com destaque para passagens aéreas, gasolina e alguns alimentos, que fizeram a alimentação no domicílio voltar ao terreno positivo.
No comitê de setembro eu escrevi que o número dos meses anteriores estava mais bonito do que a tendência e que quem decidisse olhando apenas o acumulado em doze meses se surpreenderia no quarto trimestre. A surpresa começou. O acumulado de 4,47% está a três centésimos do limite superior da meta, de 4,50%, que é o gatilho que eu havia definido para esse indicador. Não foi rompido, mas está no limite.
O Copom elevou a projeção de inflação para 2026 para 5,2% e espera 3,9% em 2027, apoiado em desaceleração mais rápida dos preços administrados.
Política monetária
O Copom cortou a Selic para 13,75% em setembro, decisão unânime e alinhada ao consenso. O comunicado manteve aberta a possibilidade de novos cortes, sem sinalização explícita, e preservou a avaliação de assimetria altista para a inflação. Como a ata manteve a mesma descrição do balanço de riscos, a leitura mais provável é de novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro. A projeção que utilizo é de Selic em 13,25% no fim de 2026 e 11,50% no fim de 2027.
O boletim Focus reduziu a mediana para a Selic de fim de 2026 para 13,50%, mas manteve 12% para 2027. Essa resistência em 2027 mostra que o mercado considera o ritmo dos cortes do próximo ano muito dependente do cenário eleitoral e cambial, e eu concordo com essa leitura.
Fiscal: piorou no curto prazo, melhorou na expectativa
Aqui está o contraste mais importante do mês. As projeções fiscais de 2026 pioraram ao longo de setembro. Nota técnica da Consultoria de Orçamento do Senado elevou o déficit primário estimado para o ano de R$ 52,0 bilhões para R$ 80,9 bilhões, cerca de 0,6% do PIB, por receitas abaixo do previsto e aumento de despesas, incluindo o reajuste recente do Bolsa Família. O relatório bimestral de 24 de setembro trouxe o primeiro contingenciamento do ano para assegurar o piso da meta. A dívida bruta está perto de 83% do PIB.
Ao mesmo tempo, a percepção sobre a agenda fiscal a partir de 2027 melhorou, e foi isso que o mercado precificou no dia 5 de outubro. Ou seja: o dado corrente piorou e o preço melhorou. Essa combinação só se sustenta se a expectativa for confirmada por decisões concretas. Ativos não respondem só ao resultado fiscal de hoje, respondem à trajetória esperada, e é exatamente por isso que a trajetória esperada precisa de uma âncora que ainda não existe.
Setor externo e câmbio
O real foi um dos destaques globais, mesmo com o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos diminuindo. Três fatores explicam: termos de troca elevados, balança comercial forte e investimento direto no país em 3,5% do PIB nos doze meses até julho, o que coloca o Brasil como quinto maior receptor mundial, com destaque para mineração e data centers. Esse fluxo supera com folga o déficit em conta corrente. A projeção que utilizo é de câmbio em R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 no fim de 2027. Depois do primeiro turno, o câmbio já está no ponto projetado para dezembro.
Cenário político
O segundo turno, em 25 de outubro, define quem conduz a política econômica a partir de 2027. Independentemente do resultado, os dados preliminares indicam um Congresso mais inclinado à direita: o PL deve formar a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e conquistou 19 das 54 vagas em disputa no Senado. Essa composição tende a ser relevante para a tramitação da agenda econômica nos próximos quatro anos, qualquer que seja o governo.
Período: eleições de 2022 e 2026. Unidade: participação no total de cadeiras, em %, por campo político do partido, com o número de cadeiras entre parênteses.
Leitura. Na Câmara, a direita passa de 62% para 66% das cadeiras e o centro de 14% para 11%. No Senado, a direita passa de 56% para 68% e o centro de 22% para 12%. A composição do Senado inclui os eleitos no pleito anterior, que têm mandato de oito anos.
Implicação para os investimentos. A composição do Congresso é a parte do resultado eleitoral que já está definida e que vale pelos próximos quatro anos, qualquer que seja o resultado do segundo turno. Ela muda a probabilidade de tramitação de agendas econômicas, mas não garante nenhuma. Registro o dado pelo efeito que tem sobre o prêmio de risco, sem juízo político. O ponto a monitorar é a formação da base de apoio do governo eleito a partir de novembro.
Fonte: TSE e MARPOR/Brasil em dados, com elaboração da Alocação XP, data-base 05/10/2026, dados preliminares da totalização. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.O que ajuda, o que atrapalha
- O que ajuda a economia: mercado de trabalho ainda forte, termos de troca favoráveis, investimento direto em alta, ciclo de corte de juros em andamento, redução do prêmio de risco depois do primeiro turno.
- O que limita o crescimento: juro real ainda muito alto, consumo das famílias em queda, confiança em baixa, produção industrial recuando, custo do crédito corporativo elevado.
- O que pressiona a inflação: petróleo e diesel, reversão do Bônus de Itaipu, alimentos, inflação de serviços sustentada por emprego baixo, preços livres surpreendendo para cima.
- O que pode permitir mais cortes de juros: desaceleração mais clara da atividade, câmbio apreciado, expectativas de inflação estáveis, confirmação de uma agenda fiscal crível.
- O que pode impedir: IPCA rompendo o teto da meta, câmbio devolvendo a apreciação depois do segundo turno, nova alta do Fed, choque adicional de energia.
- O que pode alterar o prêmio de risco brasileiro: o resultado do segundo turno, as primeiras sinalizações do governo eleito sobre as contas públicas e a execução do orçamento de 2026 até o fim do ano.
5. Atualização das projeções macroeconômicas
Uma constatação antes da tabela: o quadro de projeções da XP para o Brasil não mudou entre setembro e outubro. PIB, IPCA, Selic, câmbio, contas públicas e setor externo têm os mesmos números. O que mudou veio de fora do quadro: o Fed, o Focus, o Copom e as estimativas fiscais de outras fontes. Por isso a tabela abaixo mistura as duas coisas, e deixo claro de onde vem cada número.
| Indicador | Projeção anterior | Projeção atual | Direção da revisão | Impacto nos ativos |
|---|---|---|---|---|
| PIB 2026, variação real (XP) | 1,7% | 1,7% | Mantida | Desaceleração já no preço; sustenta o ciclo de cortes |
| PIB 2027, variação real (XP) | 1,0% | 1,0% | Mantida | Pressiona lucros domésticos no próximo ano |
| IPCA 2026 (XP) | 5,0% | 5,0% | Mantida | O Copom projeta 5,2%, acima da XP; risco de alta |
| IPCA 2027 (XP) | 4,2% | 4,2% | Mantida | O Copom projeta 3,9%, abaixo da XP |
| IGP-M 2026 (XP) | 4,7% | 4,7% | Mantida | Reajuste de aluguéis e contratos indexados |
| Selic efetiva | 14,00% | 13,75% | Para baixo, corte de setembro | Confirma o ciclo; reduz o carrego do pós-fixado |
| Selic fim de 2026 (XP) | 13,25% | 13,25% | Mantida | Mais dois cortes de 0,25 ponto em 2026 |
| Selic fim de 2026 (Focus) | n. d. | 13,50% | Para baixo, segundo a XP | Mercado um corte atrás da XP |
| Selic fim de 2027 (XP / Focus) | 11,50% | 11,50% / 12,00% | XP mantida | Divergência de 50 pontos-base no ritmo de 2027 |
| Desemprego 2026, fim de período (XP) | 5,6% | 5,6% | Mantida | Taxa atual de 5,3%; serviços seguem pressionados |
| Câmbio fim de 2026 (XP) | R$ 5,00 | R$ 5,00 | Mantida | Já atingido em 5 de outubro |
| Câmbio fim de 2027 (XP) | R$ 5,30 | R$ 5,30 | Mantida | Devolução projetada da força do real |
| Primário do governo central 2026, % do PIB (XP) | -0,3% | -0,3% | Mantida | Ver divergência abaixo |
| Déficit primário 2026 (Consultoria do Senado) | R$ 52,0 bi | R$ 80,9 bi | Piora, cerca de 0,6% do PIB | Pressiona a parte longa da curva |
| Dívida bruta 2026 / 2027, % do PIB (XP) | 83,6% / 87,9% | 83,6% / 87,9% | Mantida | Trajetória de alta intacta |
| Dívida líquida 2026, % do PIB (XP) | 70,0% | 70,0% | Mantida | Reforça a leitura acima |
| Balança comercial 2026, US$ bi (XP) | 75,5 | 75,5 | Mantida | Sustenta o real |
| Conta corrente 2026, % do PIB (XP) | -2,3% | -2,3% | Mantida | Vulnerabilidade externa baixa |
| Investimento direto no país 2026, US$ bi (XP) | 85,0 | 85,0 | Mantida | Já em 3,5% do PIB em doze meses |
| Juros nos Estados Unidos | 3,50% a 3,75%, 67% de chance de alta | 3,75% a 4,00%, mediana de 4,125% no fim de 2026 | Para cima, alta realizada | Juros longos globais mais altos; dólar firme |
| Inflação nos Estados Unidos 2026 (Fed) | n. d. | 3,7% | Para cima, leve | Convergência à meta só em 2029 |
| PIB dos Estados Unidos 2026 (Fed) | 2,2% | 2,3% | Para cima, leve | Atividade mais aquecida dificulta cortes |
Fonte: projeções XP de setembro e outubro de 2026 (IBGE, BCB, Bloomberg, XP); boletim Focus e Copom conforme o Relatório Mensal de Alocação XP de outubro de 2026, data-base 05/10/2026; projeções do Fed (Summary of Economic Projections de setembro); Consultoria de Orçamento do Senado. “n. d.”: não disponível nos materiais do comitê anterior. Crescimento global: os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura.
Quais revisões são mais relevantes
A primeira é a do Fed. Em setembro, a alta era uma probabilidade de 67%. Agora é um fato, com sinalização de mais uma. É a revisão que mais muda a leitura da renda fixa internacional e do exterior como um todo.
A segunda é a fiscal, e ela vem com uma divergência entre fontes que precisa ser tratada com cuidado. O quadro da XP mantém o déficit do governo central em 0,3% do PIB em 2026. A Consultoria de Orçamento do Senado estima R$ 80,9 bilhões, perto de 0,6% do PIB. Parte da diferença pode ser de conceito e de data: o quadro da XP não foi atualizado entre setembro e outubro, e a nota do Senado já incorpora receitas abaixo do previsto e o reajuste do Bolsa Família. Atribuo probabilidade de cerca de dois terços a um resultado mais próximo da estimativa mais negativa. O que invalidaria essa leitura é o relatório bimestral de novembro mostrar recuperação de receitas ou cortes de despesa acima do contingenciamento já anunciado.
A terceira é a inflação de 2027. O Copom projeta 3,9%, a XP 4,2% e o Focus, pela leitura do gráfico da XP, algo perto de 4,3%. A diferença parece pequena, mas é ela que decide se a Selic termina 2027 em 11,50% ou em 12,00%. O cenário mais provável, na minha leitura, é a inflação de 2027 ficar mais perto das projeções de mercado do que da do Copom, porque a premissa de desaceleração rápida dos preços administrados é exigente num ambiente de petróleo caro. Isso pesa a favor da projeção de 12% do Focus. O que invalidaria: câmbio sustentado abaixo de R$ 5,00 e petróleo de volta abaixo de US$ 90.
O que já está no preço: o corte de setembro, mais dois cortes em 2026, um cenário fiscal mais favorável para 2027 e a alta do Fed. O que ainda pode gerar movimento: o segundo turno, uma segunda alta do Fed, a confirmação ou não do IPCA acima do teto da meta e o ritmo de cortes de 2027.
6. Leitura das curvas de juros
Curva brasileira
Os materiais deste mês não trazem a curva de juros futuros completa, por vencimento, nem a inflação implícita, que usei em setembro. O que tenho é o movimento do dia 5 de outubro, com fechamento de mais de 130 pontos-base em alguns vencimentos, o retorno de 2,09% do IRF-M e de 3,15% do IMA-B em setembro, e o posicionamento da XP. O gráfico que seria útil aqui é a curva de juros nominal antes e depois do primeiro turno, com as taxas por vencimento de 2 e de 5 de outubro, e a inflação implícita nas mesmas datas. Prefiro registrar a lacuna a reconstruir uma curva sem dado.
Trechos curtos. Continuam sendo onde vejo a melhor relação entre risco e retorno. A taxa de juros de um ano permanece abaixo da Selic, um sinal que a XP usa para identificar momentos de antecipação de cortes. No histórico desse sinal, o índice de prefixados rendeu em média cerca de 14,2% nos 250 dias úteis seguintes, contra cerca de 11,4% dos pós-fixados, com dispersão grande entre os episódios. Média histórica não é promessa, mas indica que a assimetria está do lado do prefixado de prazo curto enquanto o ciclo de cortes continuar.
Trechos intermediários. Foram os que mais fecharam depois do primeiro turno, e por isso mesmo a assimetria ficou menor do que em setembro. Ainda há prêmio, mas o investidor que entra agora pega o carrego e uma parte menor do ganho de marcação.
Trechos longos. Carregam o prêmio fiscal e eleitoral. O primeiro turno reduziu esse prêmio, mas a dívida bruta segue em alta e o fiscal de 2026 piorou. A parte longa é a que mais devolveria em um cenário de frustração depois do segundo turno, e é também a que mais ganharia com uma agenda fiscal concreta. Enquanto essa agenda for expectativa, não decisão, não alongo duration.
Inclinação e prêmio real. Os juros reais seguem altos para padrões históricos, o que sustenta a classe de inflação no longo prazo. A XP passou a recomendar duration de quatro anos em prefixados e de sete em inflação. Eu mantenho cerca de três e seis anos, respectivamente. A divergência é de prudência, não de diagnóstico: concordo que a curva tem espaço para fechar, mas não quero que o resultado da carteira dependa de um único evento binário. Se o segundo turno confirmar o cenário precificado e vierem sinais concretos sobre as contas públicas, alongo de forma gradual.
Volatilidade. A suspensão das negociações no Tesouro Direto na manhã de 5 de outubro é um lembrete útil. Título público tem risco de mercado, e a marcação diária pode ser grande nos dois sentidos. Quem precisa do dinheiro antes do vencimento precisa dimensionar a duration pelo prazo do objetivo, não pela taxa.
Curva americana
Treasuries curtas. Subiram cerca de 30 pontos-base no vencimento de um ano, de 4,13% para 4,46%, refletindo a alta realizada e a precificação de pelo menos mais uma.
Treasuries longas. A de dez anos foi de cerca de 4,78% para 5,28%; a de 30 anos, de cerca de 5,24% para 5,63%, depois de se aproximar de 5,70%. No comitê de setembro, defini como gatilho a taxa de 30 anos se consolidando acima de 5,50%. Esse gatilho foi atingido.
Inclinação. A maior abertura veio nos vencimentos de três a sete anos, o que indica expectativa de juro alto por mais tempo. A curva segue positivamente inclinada.
Inflação implícita e prêmio de prazo. Os materiais não trazem a inflação implícita americana, e sobre esse ponto os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura. O prêmio de prazo segue alimentado por oferta de dívida, déficits e demanda de capital ligada à inteligência artificial.
Impacto sobre dólar e emergentes. Juro americano mais alto fortalece o dólar global e reduz o apelo relativo de ativos emergentes. O Brasil escapou disso em setembro por fatores domésticos, o que é bom, mas também significa que o real ficou mais dependente desses fatores.
Conclusão sobre as curvas. A curva brasileira ainda oferece oportunidade, com mais seletividade de prazo do que em setembro. A americana exige cautela na ponta longa. Na renda fixa internacional sigo com duration curta, entre dois e três anos, priorizando crédito de alta qualidade. O carrego com hedge cambial segue atrativo, com a diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos somada à taxa americana.
7. Perspectivas por classe de ativo
Uso o mesmo formato para todas as classes, para que você possa comparar mês a mês sem depender da minha ênfase. Onde os materiais deste mês não trazem base suficiente, digo isso em vez de preencher. Uma regra que vale para a seção inteira: não mudo uma tese porque o preço se moveu. Mudo quando o fundamento muda.
Caixa e liquidez Mais favorável
- O que mudou
- A Selic caiu para 13,75%. O CDI rendeu 1,08% em setembro e acumula 10,51% no ano.
- Tese principal
- Em um mês com evento binário marcado para o dia 25, caixa é o que permite agir depois do resultado, e não antes. Com juro de dois dígitos, o custo de esperar é baixo.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica. Caixa é decisão de estrutura, não de preço.
- Principais riscos
- Usar o caixa como desculpa para não decidir nunca. Caixa demais por tempo demais corrói retorno real.
- Horizonte
- Curto prazo
- Convicção
- ★★★★★
- Direcionamento
- Manter, respeitando o mínimo de cada perfil
Pós-fixados Neutra
- O que mudou
- Mudei a leitura de mais favorável para neutra. Com o ciclo de cortes confirmado e mais dois cortes projetados em 2026, o carrego futuro da classe começa a cair. A XP reduziu a classe em 8,5 pontos percentuais nas carteiras conservadora e moderada.
- Tese principal
- A classe segue sendo a âncora de estabilidade e liquidez, especialmente em títulos públicos. O que muda é o papel: ela passa a ser a fonte de recursos para os aumentos graduais em prefixados e em dólar, e deixa de ser o lugar onde se busca retorno.
- O mercado já precificou?
- Sim. A trajetória de queda da Selic está na curva.
- Principais riscos
- Para quem reduz demais: ficar sem liquidez em um mês de volatilidade alta. Para quem mantém demais: perder a parte do ciclo de cortes que paga quem trava taxa.
- Horizonte
- Curto e médio prazo
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Reduzir gradualmente, como fonte dos movimentos descritos na seção 13, priorizando a saída de crédito privado pós-fixado e preservando o caixa mínimo
Prefixados Mais favorável
- O que mudou
- A tese de setembro se confirmou. O IRF-M rendeu 2,09% no mês, contra 1,08% do CDI, e a curva fechou mais de 130 pontos-base em alguns vencimentos depois do primeiro turno. A XP passou a sobrealocar a classe, com aumento de até 6 pontos percentuais e duration de quatro anos.
- Tese principal
- A taxa de um ano segue abaixo da Selic, sinal de que o mercado antecipa o ciclo de cortes. Nesse ambiente, o prefixado de prazo curto e intermediário captura carrego e marcação. Mantenho duration em torno de três anos, e não quatro, porque a parte mais longa ficou mais dependente do segundo turno.
- O mercado já precificou?
- Mais do que em setembro. Parte relevante do ganho de marcação aconteceu em um único dia. Ainda há assimetria no trecho curto; no intermediário, ela diminuiu.
- Principais riscos
- Frustração com o segundo turno e devolução do fechamento da curva; IPCA rompendo o teto da meta; segunda alta do Fed; piora fiscal adicional em 2026.
- Horizonte
- Médio prazo
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Aumentar gradualmente, com duration em torno de três anos, em parcelas antes e depois de 25 de outubro
Títulos indexados à inflação Neutra
- O que mudou
- O IMA-B rendeu 3,15% em setembro, beneficiado pelo fechamento dos juros reais. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 surpreendeu para cima, com 0,70% no mês e 4,47% em doze meses.
- Tese principal
- A classe é a principal ferramenta de preservação do poder de compra no longo prazo, e os juros reais seguem altos. Uma melhora da percepção fiscal favorece o fechamento gradual desses juros. A surpresa recente de inflação reforça o papel de proteção da classe. A XP mantém a classe abaixo do neutro, com duration de sete anos; eu mantenho posição neutra, com duration em torno de seis.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Sem a inflação implícita atualizada nos materiais, não consigo afirmar se o custo da proteção caiu depois do primeiro turno.
- Principais riscos
- Volatilidade de marcação, que é alta com duration de seis anos; frustração fiscal depois da eleição.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Manter, com duration em torno de seis anos
Crédito privado de alta qualidade Neutra
- O que mudou
- Nada nos materiais do mês indica mudança de spreads. A ata do Copom destacou o efeito do longo período de juros altos sobre o mercado de crédito, especialmente o de prazo mais longo.
- Tese principal
- Emissores de primeira linha seguem com balanços sólidos, e a classe faz sentido como carrego acima do título público. A questão continua sendo preço: o spread precisa pagar crédito, liquidez e estrutura ao mesmo tempo.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto, porque não trazem a evolução dos spreads no mês.
- Principais riscos
- Abertura de spreads, iliquidez em janelas de estresse, concentração por emissor.
- Horizonte
- Médio prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com seletividade e limite de 5% por emissor
Crédito privado de maior risco Menos favorável
- O que mudou
- Nenhum dado novo de inadimplência nos materiais. O que mudou foi a queda dos juros futuros, que melhora a margem de algumas empresas, mas com efeito defasado.
- Tese principal
- A inadimplência corporativa reage com um a dois anos de atraso ao custo do crédito. O fechamento da curva depois do primeiro turno não altera o fato de que as empresas estão rolando dívida contratada a juros muito altos. Estamos na parte de subida da curva de inadimplência.
- O mercado já precificou?
- Não, na minha leitura. É a classe com maior distância entre risco percebido e risco real.
- Principais riscos
- Perda permanente de capital, que não se recupera com paciência.
- Horizonte
- Médio prazo
- Convicção
- ★★★★☆ na cautela
- Direcionamento
- Reduzir gradualmente e evitar novas alocações sem prêmio claramente superior
Debêntures incentivadas Neutra
- O que mudou
- Os materiais deste mês não trazem análise específica do segmento.
- Tese principal
- A isenção para pessoa física segue sendo vantagem real, principalmente em papéis atrelados à inflação de prazo longo. Ela não corrige risco de crédito nem de liquidez, e muitas vezes é usada para justificar prêmio menor do que o risco pediria.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto.
- Principais riscos
- Liquidez baixa no secundário, concentração por emissor e setor, marcação em prazos longos.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com seletividade. Para pessoa jurídica, ativo isento raramente faz sentido.
Fundos de crédito Neutra
- O que mudou
- Sem alteração de fundamento no mês.
- Tese principal
- O veículo dá diversificação de emissores que o investidor pessoa física dificilmente monta sozinho. O risco que mais importa num ciclo de crédito virando é o descasamento entre a liquidez da carteira e o prazo de resgate do fundo.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente, com grande dispersão entre gestores.
- Principais riscos
- Resgates em massa em fundos com carteira ilíquida, marcação em janelas de estresse.
- Horizonte
- Médio prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, priorizando prazo de resgate compatível com a carteira do fundo e limite de 15% por fundo
Fundos multimercados Neutra
- O que mudou
- O IHFA rendeu 2,20% em setembro, acima do CDI, e acumula 7,03% no ano, ainda abaixo dos 10,51% do CDI.
- Tese principal
- Cenário com eventos binários, bancos centrais mudando de direção e petróleo volátil é o ambiente em que a flexibilidade da gestão pode agregar. Sigo preferindo estratégias macro e long and short a posições direcionais, e atento a fundos concentrados no chamado kit Brasil, que reduzem a descorrelação.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica diretamente. O retorno depende da habilidade do gestor.
- Principais riscos
- Desempenho abaixo do CDI por período prolongado, correlação escondida com ativos locais, custo elevado sem entrega.
- Horizonte
- Médio prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter
Fundos imobiliários Neutra
- O que mudou
- O IFIX caiu 0,20% em setembro e acumula queda de 0,53% no ano. A XP aumentou a classe nas carteiras conservadora e moderada, em 2,5 e 1 ponto percentual, e reduziu em 4,5 pontos na sofisticada.
- Tese principal
- A classe é das mais sensíveis aos juros longos. Se a redução do prêmio de risco se confirmar, os fundos tendem a se beneficiar. A própria XP condiciona esse potencial à consolidação de uma trajetória fiscal e de juros longos mais favorável, e o movimento oposto entre perfis mostra que a convicção não é alta.
- O mercado já precificou?
- Menos do que outras classes. O IFIX ficou para trás no mês, o que pode ser oportunidade ou sinal de que o mercado ainda cobra prêmio pelos juros reais altos.
- Principais riscos
- Juros reais altos por mais tempo, vacância, crédito nos fundos de papel.
- Horizonte
- Médio e longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com preferência por fundos de papel de boa qualidade de crédito. Aumento em fundos de tijolo só depois de queda sustentada dos juros longos.
Ações brasileiras Neutra
- O que mudou
- O preço, muito. O Ibovespa subiu 5,03% em setembro, acumula 15,65% no ano e subiu mais 7,7% em 5 de outubro, perto de 207 mil pontos. A XP elevou a classe em 3,5 pontos na carteira moderada e 5 pontos na sofisticada.
- Tese principal
- A alta veio da redução do prêmio de risco, não de revisão de lucro. No comitê de setembro eu registrava estimativas de lucro das empresas brasileiras para 2026 cortadas em 2,8% durante a temporada de resultados, e a atividade segue desacelerando. A valuation ainda é atrativa em relação à média histórica, e uma trajetória fiscal mais crível pode sustentar uma reprecificação adicional. Mas esse cenário depende de uma confirmação que ainda não veio.
- O mercado já precificou?
- Em boa parte. Em um dia, o índice fez o que costuma levar meses.
- Principais riscos
- Devolução da alta depois do segundo turno; lucros mais fracos com a desaceleração; juros globais mais altos limitando o fluxo estrangeiro.
- Horizonte
- Médio e longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter. Para moderados e arrojados abaixo da alocação estratégica, aumento escalonado a partir do resultado do segundo turno, nunca antes
Small caps brasileiras Neutra
- O que mudou
- Os materiais não trazem dados específicos do segmento.
- Tese principal
- São as ações mais sensíveis aos juros domésticos e as maiores beneficiárias de uma queda sustentada da curva. São também as mais expostas ao ciclo de crédito corporativo, porque dependem mais de financiamento bancário e de mercado.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto.
- Principais riscos
- Liquidez baixa, endividamento, sensibilidade a frustração com juros.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★☆☆☆
- Direcionamento
- Manter, sem aumento antes de sinais concretos de queda dos juros longos e de estabilização do crédito
Ações americanas Mais favorável
- O que mudou
- O S&P 500 subiu 0,2% em setembro. O Fed subiu juros, a Treasury de dez anos foi para perto de 5,30% e o tema de inteligência artificial ganhou um risco regulatório, com quedas de 3% a 4% em semicondutores. Reduzi a convicção de quatro para três estrelas.
- Tese principal
- Os fundamentos seguem sólidos, com lucros entregando e empresas com geração de caixa robusta. O que mudou é o custo de capital, que subiu, e a concentração, que segue alta em poucos nomes ligados a IA. A XP mantém a classe próxima do neutro.
- O mercado já precificou?
- Em parte, sobretudo em segmentos de tecnologia.
- Principais riscos
- Juros longos ainda mais altos, concentração, regulação de inteligência artificial.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com seletividade e sem aumentar a concentração em tecnologia
Ações internacionais fora dos Estados Unidos Neutra
- O que mudou
- Mudei de mais favorável para neutra. O BCE e o Banco do Japão subiram juros, a França entrou em estresse fiscal, com a taxa de dez anos perto de 5%, e o iene se desvalorizou.
- Tese principal
- A classe continua sendo contrapeso à concentração americana. O ambiente de juros subindo e de risco fiscal europeu, porém, tira a urgência do aumento que eu indicava em setembro.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre valuation da região.
- Principais riscos
- Votação do orçamento francês em 17 de novembro, aperto monetário mais longo, energia.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, pausando os aumentos graduais
Mercados emergentes Neutra
- O que mudou
- O aperto das condições financeiras nos países desenvolvidos tende a pesar sobre os emergentes. O Brasil tem sido vencedor relativo, pela balança comercial e pelos termos de troca.
- Tese principal
- Dólar firme e juros americanos altos não são o ambiente clássico para a classe. A carteira global de referência da XP mantém só 2% em ações emergentes, e não vejo motivo para ir além.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto.
- Principais riscos
- Dólar global mais forte, segunda alta do Fed.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★☆☆☆
- Direcionamento
- Manter posição pequena. Para o investidor brasileiro, o risco emergente já está concentrado na carteira local.
Commodities Neutra
- O que mudou
- O Brent superou US$ 108 e voltou para baixo de US$ 100 depois da liberação de reservas. O diesel bateu recorde.
- Tese principal
- O choque de oferta é real e parte dele é estrutural, no refino e no escoamento. Mas o preço depende de decisões políticas imprevisíveis, de reservas estratégicas a negociações no Oriente Médio. Para o investidor brasileiro, a exposição a commodities já vem pela bolsa local e pelo real.
- O mercado já precificou?
- O risco de interrupção está no preço; uma solução diplomática não está.
- Principais riscos
- Volatilidade extrema nos dois sentidos.
- Horizonte
- Curto prazo
- Convicção
- ★★☆☆☆
- Direcionamento
- Manter, sem posição direcional adicional
Ouro Mais favorável
- O que mudou
- Os materiais deste mês não trazem dados sobre o ouro.
- Tese principal
- A tese de setembro segue de pé: reserva de valor em um mundo de déficits fiscais altos, questionamentos sobre a sustentabilidade da dívida americana e risco geopolítico. Juros reais americanos mais altos são um contraponto relevante e por isso não aumento a convicção.
- O mercado já precificou?
- Os materiais fornecidos não permitem uma conclusão segura sobre este ponto.
- Principais riscos
- Juros reais americanos subindo, dólar global forte.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, dentro do limite de alternativos de cada perfil
Dólar e moedas Mais favorável
- O que mudou
- Mudei de neutra para mais favorável. O dólar caiu 4,12% em um dia e fechou em R$ 5,00, o nível que a projeção de referência indica para o fim de 2026. Para 2027, a projeção é de R$ 5,30.
- Tese principal
- Exposição internacional é diversificação de moeda, jurisdição e mercado, não aposta direcional. A XP recomenda ao menos 15% do patrimônio financeiro em uma carteira global dolarizada. Quem está abaixo da faixa estrutural do seu perfil tem agora um ponto de entrada melhor do que teve em quase todo o ano. O erro clássico é comprar dólar depois de forte valorização; o momento atual é o oposto.
- O mercado já precificou?
- O real precificou o cenário favorável. Se ele se confirmar, o espaço adicional de apreciação parece limitado; se não se confirmar, a devolução pode ser rápida.
- Principais riscos
- Continuidade da apreciação do real se o fluxo estrangeiro acelerar; custo de oportunidade do juro doméstico alto.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Aumentar gradualmente até a faixa estrutural do perfil, em parcelas, sem tentar acertar o ponto exato
Ativos alternativos Neutra
- O que mudou
- A XP reduziu alternativos em 2 pontos percentuais na carteira sofisticada para financiar o aumento de risco doméstico.
- Tese principal
- Diversificação segue sendo o principal instrumento para atravessar cenários diferentes, reduzindo a dependência de um único desfecho econômico ou político. Alternativos cumprem esse papel, com a contrapartida de liquidez menor e avaliação individual.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica de forma agregada.
- Principais riscos
- Iliquidez, dificuldade de avaliação, custo.
- Horizonte
- Longo prazo
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter. Não vejo motivo para trocar diversificação por risco doméstico antes do segundo turno.
8. Matriz de convicção
| Classe de ativo | Viés | Convicção | Horizonte | Principal fundamento | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|
| Caixa e liquidez | Positivo | ★★★★★ | Curto | Opcionalidade antes de evento binário | Virar procrastinação |
| Pós-fixados | Neutro | ★★★★☆ | Curto e médio | Estabilidade e liquidez | Carrego em queda |
| Prefixados (até 3 anos) | Positivo | ★★★★☆ | Médio | Ciclo de cortes confirmado | Frustração com o 2º turno |
| Inflação | Neutro | ★★★★☆ | Longo | Juro real alto e proteção | Marcação e fiscal |
| Crédito alta qualidade | Neutro | ★★★☆☆ | Médio | Balanços sólidos | Spreads insuficientes |
| Crédito maior risco | Negativo | ★★★★☆ | Médio | Inadimplência ainda subindo | Perda permanente |
| Debêntures incentivadas | Neutro | ★★★☆☆ | Longo | Isenção para pessoa física | Liquidez e emissor |
| Fundos de crédito | Neutro | ★★★☆☆ | Médio | Diversificação de emissores | Descasamento de liquidez |
| Multimercados | Neutro | ★★★☆☆ | Médio | Dispersão de cenários | Correlação com o local |
| Fundos imobiliários | Neutro | ★★★☆☆ | Médio e longo | Sensibilidade a juros longos | Juro real alto por mais tempo |
| Ações brasileiras | Neutro | ★★★☆☆ | Médio e longo | Prêmio de risco em queda | Devolução pós-eleição |
| Small caps | Neutro | ★★☆☆☆ | Longo | Alavancagem à queda de juros | Ciclo de crédito |
| Ações americanas | Positivo | ★★★☆☆ | Longo | Lucros entregando | Juros longos e concentração |
| Desenvolvidos ex-EUA | Neutro | ★★★☆☆ | Longo | Contrapeso à concentração | Fiscal francês e BCE |
| Emergentes | Neutro | ★★☆☆☆ | Longo | Valuation | Dólar global forte |
| Commodities | Neutro | ★★☆☆☆ | Curto | Choque de oferta | Decisão política |
| Ouro | Positivo | ★★★☆☆ | Longo | Reserva de valor | Juro real americano |
| Dólar estrutural | Positivo | ★★★★☆ | Longo | Real em R$ 5,00 | Continuidade da apreciação |
| Alternativos | Neutro | ★★★☆☆ | Longo | Descorrelação | Iliquidez |
Mudanças em relação a setembro: pós-fixados de positivo para neutro; desenvolvidos ex-EUA de positivo para neutro; dólar de neutro para positivo; convicção em ações americanas e em ouro de quatro para três estrelas.
9. Cenários prospectivos
As probabilidades abaixo valem para os próximos seis a doze meses. Mantive os mesmos números de setembro, 55%, 20% e 25%, mas por motivos diferentes. O primeiro turno aumentou a probabilidade do lado otimista no Brasil. A alta do Fed, o aperto global e o choque de energia aumentaram a probabilidade do lado pessimista lá fora. Na minha leitura, os dois movimentos se compensam. Reduzir o cenário pessimista só por causa de um pregão seria confundir preço com fundamento.
Cenário-base: cerca de 55%
Premissas. Segundo turno sem ruptura institucional e com uma transição que não altera de forma drástica a percepção fiscal precificada; o governo eleito sinaliza alguma disciplina, sem reforma estrutural no curto prazo. Fed faz mais uma alta ou para no patamar atual. Petróleo oscila entre US$ 90 e US$ 105.
Inflação: IPCA perto de 5% em 2026, com risco de romper o teto da meta no curto prazo, e desaceleração em 2027. Juros: Selic em 13,25% no fim de 2026 e entre 11,50% e 12,00% no fim de 2027; curva oscilando perto dos níveis atuais. Câmbio: entre R$ 5,00 e R$ 5,30. Crescimento: perto de 1,7% em 2026 e de 1,0% em 2027. Bolsa: oscilação lateral depois da alta, dependente de lucros. Renda fixa: prefixados curtos e inflação seguem pagando bem; pós-fixado perde atratividade relativa aos poucos. Crédito: inadimplência ainda subindo, sem crise sistêmica. Ativos internacionais: ações sustentadas por lucros, com volatilidade; renda fixa curta com bom carrego.
Cenário otimista: cerca de 20%
Premissas. O cenário fiscal precificado em 5 de outubro se confirma com medidas concretas no início do novo governo; o Congresso aprova uma agenda de contenção de gastos; o Fed encerra as altas e o petróleo volta para perto de US$ 85 com algum avanço diplomático.
Inflação: converge para perto de 4% em 2027. Juros: cortes mais rápidos em 2027 e fechamento relevante da parte longa da curva. Câmbio: real estável ou mais forte. Crescimento: recuperação do investimento a partir de 2027. Bolsa: reprecificação adicional, com ganho maior em empresas domésticas e small caps. Renda fixa: maiores ganhos em prefixados e inflação de prazo longo, justamente onde estou com duration menor. Crédito: estabilização mais cedo da inadimplência. Ativos internacionais: retorno em reais menor pelo câmbio. Esse é o custo da minha prudência, e eu o aceito de forma consciente.
Cenário pessimista: cerca de 25%
Premissas. Frustração com a agenda fiscal depois do segundo turno, por resultado ou por execução; IPCA acima do teto da meta por vários meses; Fed com mais de uma alta adicional; petróleo de volta acima de US$ 110 com escalada no Oriente Médio; eventos de crédito corporativo se multiplicando.
Inflação: acima de 5% por mais tempo. Juros: pausa nos cortes da Selic e devolução do fechamento da curva, com abertura na ponta longa. Câmbio: volta acima de R$ 5,30. Crescimento: abaixo de 1% em 2027. Bolsa: devolução da alta pós-eleição. Renda fixa: perdas de marcação em prazos longos; pós-fixado e caixa protegem. Crédito: abertura de spreads e perdas em emissores mais frágeis. Ativos internacionais: protegem a carteira pela desvalorização do real, mesmo com bolsas globais pressionadas.
10. Mapa de riscos
| Risco | Probabilidade | Impacto | Classes mais afetadas | Possível proteção |
|---|---|---|---|---|
| Reversão da reprecificação doméstica depois do 2º turno | Média | Alto | Bolsa, prefixados longos, inflação longa, fundos imobiliários, real | Duration moderada, caixa, dólar estrutural |
| Deterioração fiscal | Média a alta | Alto | Toda a curva longa, bolsa, câmbio | Pós-fixado, inflação de prazo médio, diversificação internacional |
| Inflação persistente no Brasil | Média | Médio | Prefixados, crédito | Títulos indexados à inflação |
| Nova alta do Fed e juros longos globais ainda maiores | Média a alta | Alto | Renda fixa internacional longa, ações globais, emergentes | Duration curta lá fora, caixa em dólar |
| Alta adicional do petróleo | Média | Médio | Inflação, transporte, juros globais | Inflação, exposição indireta via bolsa local |
| Crise de crédito corporativo e abertura de spreads | Média | Alto | Crédito de maior risco, fundos de crédito, small caps | Qualidade de emissor, limites por emissor, títulos públicos |
| Desvalorização cambial | Média | Médio | Inflação, juros, bolsa | Dólar estrutural |
| Estresse fiscal na Europa | Média | Médio | Ações europeias, juros globais | Diversificação geográfica, qualidade de crédito |
| Concentração e regulação em inteligência artificial | Média | Médio | Ações americanas, índices globais | Seletividade, peso controlado em tecnologia |
| Escalada tarifária entre EUA e China | Baixa no curto prazo | Médio | Commodities, emergentes | Diversificação |
| Crise institucional na transição | Baixa | Alto | Todos os ativos domésticos | Diversificação internacional, liquidez |
Os três riscos que mais merecem monitoramento
1. A reversão do primeiro turno. É o risco novo e o de maior impacto imediato. O mercado precificou um cenário que ainda depende de um evento e de uma execução. Não estou dizendo que a reversão é provável. Estou dizendo que o custo de errar ficou concentrado em uma data.
2. O fiscal de verdade, não o esperado. O déficit de 2026 piorou, o contingenciamento começou e a dívida segue subindo. A expectativa sobre 2027 melhorou; a conta de 2026, não. Quanto mais a distância entre as duas crescer, mais frágil fica o preço atual.
3. O aperto global. Era o risco número um em setembro e se materializou. Continua no topo porque o Fed sinaliza mais uma alta e o choque de energia está longe de resolvido.
O crédito corporativo saiu do top três por falta de dado novo, não por melhora. Ele segue no radar e segue vermelho no semáforo.
11. Mapa de oportunidades
| Oportunidade | Classe de ativo | Horizonte | Convicção | Catalisador | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|
| Prefixado de prazo curto e intermediário (forte) | Renda fixa prefixada | Médio | ★★★★☆ | Cortes da Selic, taxa de um ano abaixo da Selic | IPCA acima do teto, frustração eleitoral |
| Recomposição do dólar estrutural (forte) | Câmbio e ativos internacionais | Longo | ★★★★☆ | Real em R$ 5,00, projeção de R$ 5,30 em 2027 | Apreciação adicional do real |
| Renda fixa internacional curta com hedge (moderada) | Renda fixa global | Médio | ★★★☆☆ | Carrego elevado com hedge cambial e duration curta | Abertura de spreads de crédito |
| Títulos indexados à inflação (moderada) | Renda fixa inflação | Longo | ★★★☆☆ | Juro real alto e melhora fiscal | Marcação e frustração fiscal |
| Bolsa brasileira depois do 2º turno (fraca hoje) | Renda variável Brasil | Médio e longo | ★★☆☆☆ | Confirmação da agenda fiscal | Devolução da alta |
Por que a relação entre risco e retorno pode ser atrativa. No prefixado curto, o investidor recebe carrego alto e tem a opção de ganho de marcação se o ciclo de cortes for além do precificado, com perda limitada pela duration curta. No dólar estrutural, a assimetria vem do ponto de entrada: o real está no nível projetado para o fim do ano, e a projeção para 2027 é de depreciação. Se o real se valorizar mais, o custo é pequeno numa posição construída em parcelas. Na bolsa brasileira, a oportunidade existe, mas boa parte foi precificada antes do evento que a confirma, e por isso a classifico como fraca hoje. Nenhuma delas é garantia de retorno.
12. Movimentos potenciais por perfil de risco
Não monto carteiras fechadas aqui. Indico direções. A tradução para valores depende do objetivo, do prazo e da situação de cada investidor.
Perfil conservador
- O que priorizar: títulos públicos pós-fixados e prefixados de prazo curto.
- O que manter: títulos indexados à inflação de prazo médio, crédito de alta qualidade com limite por emissor.
- O que pode ser aumentado gradualmente: prefixados de até dois ou três anos, usando recursos do pós-fixado; renda fixa internacional curta, dentro do limite do perfil.
- O que deve ser reduzido: crédito privado de maior risco, se houver.
- O que deve ser evitado: bolsa brasileira como resposta à alta de outubro; duration longa.
- Liquidez adequada: caixa mínimo de cerca de 20% em ativos de liquidez diária, referência que a XP mantém para o perfil.
- Duration tolerável: curta, até cerca de dois anos na carteira de renda fixa como um todo.
- Principais riscos: marcação a mercado em um evento eleitoral, inflação acima do teto da meta.
Perfil moderado
- O que priorizar: prefixados de prazo curto e intermediário e títulos indexados à inflação.
- O que manter: bolsa brasileira no nível atual, multimercados, fundos imobiliários de papel, ações americanas.
- O que pode ser aumentado gradualmente: prefixados com duration de cerca de três anos; dólar estrutural até a faixa do perfil; bolsa brasileira apenas depois do segundo turno e apenas se estiver abaixo da alocação estratégica.
- O que deve ser reduzido: crédito de maior risco; excesso de pós-fixado acima da necessidade de liquidez.
- O que deve ser evitado: concentrar a carteira no cenário precificado em 5 de outubro; alongar duration acima de três anos em prefixados.
- Liquidez adequada: cerca de 15% em caixa.
- Duration tolerável: intermediária, cerca de três anos em prefixados e seis em inflação.
- Principais riscos: devolução da alta da bolsa e da curva; juros globais.
Perfil arrojado
- O que priorizar: exposição diversificada a renda variável Brasil e exterior, inflação de prazo longo, prefixados.
- O que manter: ações americanas com seletividade, alternativos, multimercados.
- O que pode ser aumentado gradualmente: bolsa brasileira em parcelas a partir do segundo turno, se o cenário fiscal for confirmado; dólar estrutural; prefixados.
- O que deve ser reduzido: concentração em tecnologia americana; crédito de maior risco.
- O que deve ser evitado: alavancar a carteira no resultado eleitoral; trocar diversificação por um único cenário.
- Liquidez adequada: cerca de 10% em caixa.
- Duration tolerável: mais longa, cerca de três anos em prefixados e seis a sete em inflação, aceitando oscilação.
- Principais riscos: correlação alta entre bolsa, curva e câmbio em uma frustração doméstica; aperto global mais longo.
Uma observação importante: o perfil arrojado é o que mais ganharia no cenário otimista e o que mais perderia no pessimista. A tentação de transformar uma carteira moderada em arrojada depois de um dia de 7,7% é exatamente o tipo de decisão que não tomo e não recomendo.
13. Rebalanceamentos que podem ser avaliados
| Movimento potencial | Racional | Perfil aplicável | Urgência | Condição para execução |
|---|---|---|---|---|
| Avaliar aumento de prefixados até 3 anos | Ciclo de cortes confirmado, taxa de um ano abaixo da Selic | Todos | Gradual | Em parcelas antes e depois de 25/10; respeitar a duration do perfil |
| Avaliar aumento de dólar estrutural | Real em R$ 5,00, abaixo da projeção para 2027 | Todos abaixo da faixa estrutural | Gradual | Parcelas ao longo de dois a três meses |
| Avaliar redução de pós-fixado | Fonte de recursos para os movimentos acima | Moderado e arrojado | Gradual | Preservar o caixa mínimo do perfil |
| Avaliar redução de crédito de maior risco | Ciclo de inadimplência ainda subindo | Todos | Nas próximas semanas | Considerar liquidez, carência e marcação; não vender com deságio sem necessidade |
| Aguardar aumento de bolsa brasileira | Alta já precificada antes da confirmação | Moderado e arrojado | Sem urgência | Resultado do 2º turno e primeiras sinalizações fiscais |
| Manter títulos indexados à inflação | Proteção e juro real alto | Todos | Sem urgência | Rever duration se a inflação implícita ficar distorcida |
| Manter ações americanas | Lucros sólidos, custo de capital maior | Moderado e arrojado | Sem urgência | Rebalancear se o peso de tecnologia exceder o limite |
| Aguardar aumento em desenvolvidos ex-EUA | BCE subindo, fiscal francês | Moderado e arrojado | Sem urgência | Votação do orçamento francês em 17/11 |
| Evitar novas alocações em crédito high yield local | Prêmio não paga o risco | Todos | Imediata | Rever só com estabilização da inadimplência |
Antes de qualquer movimento, vale o filtro de sempre: custo de saída, carência, tributação, marcação a mercado e o objetivo do cliente. Um rebalanceamento que gera imposto e custo para capturar um ganho incerto não é rebalanceamento, é giro.
14. O que não fazer neste cenário
- Comprar bolsa porque subiu 7,7% em um dia. Alta recente não é fundamento. O ganho de 5 de outubro pertence a quem já estava posicionado. Quem entra agora assume o risco do segundo turno com parte do prêmio já consumida.
- Vender tudo se o segundo turno frustrar. Se houver devolução, a decisão certa é reavaliar fundamentos, não reagir ao preço. Vender depois de queda sem rever a tese costuma cristalizar perda.
- Apostar a carteira em um resultado eleitoral. Ninguém sabe o resultado do dia 25. Concentrar o patrimônio em um desfecho é trocar planejamento por palpite.
- Alongar duration sem prêmio suficiente. A parte longa da curva fechou antes da confirmação fiscal. Alongar agora é assumir o risco que o mercado acabou de deixar de cobrar.
- Zerar o dólar porque o real ficou forte. Diversificação internacional não é aposta cambial. O real forte é o melhor momento para construir a posição, não para eliminá-la.
- Buscar prêmio em crédito de maior risco para compensar a queda da Selic. É a reação mais comum em ciclos de corte e a mais cara em ciclos de inadimplência subindo.
- Reduzir liquidez de forma excessiva. Mês com evento binário pede caixa para agir depois, não antes.
- Ultrapassar o perfil de risco para não perder a alta. O perfil existe exatamente para os dias em que a vontade de correr risco está mais alta.
- Girar a carteira para cada notícia. Custo e imposto são retorno perdido com certeza; o ganho do giro é incerto.
15. Indicadores para acompanhar até o próximo comitê
| Dado | Por que importa | Nível que poderia alterar o cenário | Classes impactadas |
|---|---|---|---|
| Segundo turno, 25/10 | Define a condução da política econômica a partir de 2027 | Devolução de mais da metade do fechamento da curva pós-1º turno | Todas as classes domésticas |
| Primeiras sinalizações fiscais do governo eleito | Confirma ou não o que foi precificado | Anúncio de regra ou medida concreta de contenção de gastos | Curva longa, bolsa, câmbio |
| IPCA de setembro e IPCA-15 de outubro | Espaço para cortes da Selic | Acumulado em doze meses acima de 4,50% | Prefixados, inflação |
| Inflação de serviços e núcleos | Componente mais persistente | Reaceleração por dois meses seguidos | Toda a curva |
| Copom de novembro | Ritmo do ciclo | Pausa em vez de corte de 0,25 ponto | Prefixados, bolsa, câmbio |
| Relatório bimestral de receitas e despesas | Fiscal corrente de 2026 | Novo contingenciamento ou déficit acima de R$ 80,9 bilhões | Curva longa |
| CPI, PCE e payroll nos EUA | Próximos passos do Fed | Núcleo do CPI acima do esperado por dois meses | Renda fixa e ações globais |
| Próxima reunião do Fed | Segunda alta | Alta com sinalização de mais altas em 2027 | Todas as classes globais, emergentes |
| Treasury de 30 anos | Prêmio de prazo global | Consolidação acima de 5,75% | Ações globais, renda fixa longa, emergentes |
| Brent e diesel | Inflação global | Brent de volta acima de US$ 105 depois da liberação de reservas | Inflação, juros, transporte |
| Dólar contra o real | Termômetro do prêmio de risco | Volta acima de R$ 5,30 | Inflação, juros, bolsa |
| Orçamento francês, 17/11 | Risco fiscal europeu | Rejeição do orçamento | Ações europeias, juros globais |
| Spreads de crédito e recuperações judiciais | Ciclo de crédito | Abertura generalizada de spreads | Crédito privado, small caps |
| Negociação EUA e China em novembro | Risco tarifário | Fim antecipado da trégua | Commodities, emergentes |
16. Evolução desde o comitê de setembro
Esta seção existe para que o comitê possa ser cobrado. Comparo o que eu disse em setembro com o que aconteceu, separando o que mudou de preço do que mudou de fundamento.
| Tema | Visão anterior | Visão atual | O que mudou | Impacto na estratégia |
|---|---|---|---|---|
| Fed | Maior risco de curto prazo; 67% de chance de alta | Alta realizada; mais uma sinalizada | Fundamento. O risco se materializou | Duration curta lá fora mantida; exterior de verde para amarelo |
| Juros longos globais | Regime estruturalmente mais alto | Confirmado e ampliado para Europa e Japão | Fundamento. Gatilho de 5,50% nos 30 anos atingido | Cautela com duration global reforçada |
| Ciclo da Selic | Cortes até 13,25% no fim de 2026 | Corte para 13,75% realizado; projeção mantida | Fundamento. Tese confirmada | Sustenta prefixados |
| Prefixados até 3 anos | Positivo, aumento gradual | Positivo, aumento gradual | Preço e fundamento. IRF-M 2,09% no mês e curva mais baixa | Tese confirmada; assimetria menor no trecho intermediário |
| Inflação doméstica | Desinflação real, mas número melhor que a tendência | IPCA-15 de 0,70%; doze meses em 4,47% | Fundamento. Surpresa de alta começou | Reforça a manutenção de títulos de inflação |
| Fiscal | Sem solução; principal risco estrutural | Corrente piorou; expectativa para 2027 melhorou | Fundamento corrente pior, preço melhor | Mantenho duration moderada até haver decisão concreta |
| Bolsa brasileira | Neutra, abaixo da alocação estratégica | Neutra, aumento só depois do 2º turno | Preço, principalmente. Lucros não foram revisados para cima nos materiais | Não persigo a alta |
| Ações americanas | Positivo, ★★★★☆ | Positivo, ★★★☆☆ | Fundamento: custo de capital maior e risco regulatório em IA | Manter, sem aumentar concentração |
| Desenvolvidos ex-EUA | Aumentar gradualmente | Manter | Fundamento: BCE subindo e estresse fiscal francês | Aumentos pausados |
| Petróleo | Risco de interrupção física diminuindo | Risco voltou a subir; Brent acima de US$ 108 e depois abaixo de US$ 100 | Fundamento. Tese invalidada | Energia de volta como vetor de inflação |
| Dólar | Neutro, exposição estrutural sem movimento tático | Positivo para recompor estrutural | Preço: real em R$ 5,00. Fundamento de diversificação inalterado | Aumento gradual até a faixa do perfil |
| Crédito privado | Vermelho | Vermelho | Nada. Sem dado novo nos materiais | Redução gradual de maior risco segue |
| Fundos imobiliários | Neutro | Neutro | Preço: IFIX levemente negativo | Mantido, com preferência por papel |
| Pós-fixados | Mais favorável | Neutro | Fundamento: carrego futuro caindo com o ciclo | Vira fonte de recursos |
Teses confirmadas
Prefixados de prazo curto e intermediário, juros longos globais estruturalmente mais altos, Fed como principal risco de curto prazo e continuidade do ciclo de cortes da Selic. Também se confirmou o alerta de setembro de que a inflação dos meses anteriores estava mais bonita do que a tendência.
Teses parcialmente confirmadas
A cautela com bolsa brasileira: o fundamento que a justificava, lucros fracos e incerteza eleitoral, ainda está lá, mas o preço subiu forte. Quem estava abaixo da alocação estratégica deixou de ganhar parte da alta. Aceito esse custo, porque a decisão foi tomada pelo risco, não pela tentativa de acertar o pregão.
Teses invalidadas
A redução do risco de interrupção física do petróleo, que eu registrava em setembro. O ataque ao oleoduto saudita e a ofensiva no Iêmen recolocaram a oferta no centro. Também perdeu força a indicação de aumento gradual em desenvolvidos ex-EUA.
Riscos que aumentaram e que diminuíram
Aumentaram: aperto monetário global, energia, risco regulatório em tecnologia e o risco concentrado de reversão depois do segundo turno. Diminuíram: escalada tarifária entre Estados Unidos e China e incerteza sobre a função de reação do Fed, que voltou a ser previsível.
Oportunidades que surgiram e que diminuíram
Surgiu a de recompor dólar estrutural com o real forte. Diminuiu a assimetria no trecho intermediário da curva prefixada e na bolsa brasileira, que precificaram parte do cenário favorável.
Mudanças de convicção
Ações americanas e ouro de quatro para três estrelas. Pós-fixados de cinco para quatro. Semáforo do exterior de verde para amarelo.
17. Conclusão do comitê
1. Qual é a leitura central do cenário? O mundo ficou mais apertado e o Brasil ficou mais barato de risco, mas só no preço. O fundamento doméstico que sustentaria o preço atual ainda depende do segundo turno e de decisões fiscais que não foram tomadas.
2. O ambiente ficou mais favorável ou menos favorável? Mais favorável no Brasil, menos favorável lá fora. No agregado, neutro, com risco mais concentrado em uma data.
3. Onde estão os melhores prêmios de risco? No prefixado de prazo curto e intermediário, nos títulos indexados à inflação para quem tem horizonte longo e no dólar estrutural para quem está abaixo da faixa do perfil.
4. Onde é preciso ter maior cautela? Crédito privado de maior risco, duration longa doméstica e internacional, bolsa brasileira como reação à alta de outubro e concentração em tecnologia americana.
5. É momento de aumentar, manter ou reduzir risco? Manter. Com ajustes de composição dentro do mesmo nível de risco: menos pós-fixado e crédito arriscado, mais prefixado curto e dólar estrutural. A XP elevou o risco das carteiras depois do primeiro turno; eu prefiro esperar a confirmação para fazer o mesmo na bolsa.
6. Quais movimentos podem ser avaliados? Os da seção 13, todos graduais.
7. O que não deve ser alterado? Caixa mínimo, títulos indexados à inflação, diversificação internacional, alternativos e o perfil de risco de cada cliente.
8. Qual é a principal mensagem para os clientes? O mercado antecipou uma boa notícia que ainda precisa acontecer. A carteira não precisa antecipar junto.
18. Conversa com você investidor
Um bate-papo de cerca de cinco minutos, para ler com calma ou para guiar a nossa próxima reunião. Ele consolida o trimestre, de julho a outubro.
O que aconteceu no trimestre. Foram três meses em que o mundo mudou de direção. Em julho, o alívio no Oriente Médio tirou um risco do caminho e a chegada de Kevin Warsh ao Fed deixou o ambiente menos acomodatício. Em agosto, os juros longos americanos subiram e ficaram altos mesmo com intervenção do Tesouro, e eu passei a tratar isso como estrutural. Em setembro, o Fed subiu os juros pela primeira vez desde 2023, e a Europa e o Japão foram junto. Aqui, o Banco Central começou a cortar a Selic, que está em 13,75%, e a eleição passou a mexer nos preços. No dia seguinte ao primeiro turno, a bolsa subiu 7,7%, os juros caíram e o dólar foi a R$ 5,00.
O que mudou no cenário. Duas coisas. Lá fora, ficou claro que o dinheiro vai continuar caro por mais tempo: déficits dos governos, investimento pesado em inteligência artificial e petróleo alto estão empurrando os juros para cima. Aqui, o mercado passou a apostar que 2027 terá contas públicas mais organizadas. Pode ser que tenha. Mas, por enquanto, é uma aposta, e a conta deste ano ainda piorou.
Como isso afeta os seus investimentos. Na prática, a renda fixa brasileira foi a grande aliada do trimestre. Quem tinha títulos prefixados e atrelados à inflação foi bem pago. A bolsa brasileira subiu forte no fim, e a parte internacional da carteira continuou entregando no ano, ainda que setembro tenha sido um mês fraco lá fora.
Quais riscos estamos monitorando. O principal é simples de explicar: o mercado comemorou antes do jogo terminar. O segundo turno é no dia 25. Se o resultado ou os primeiros passos do novo governo frustrarem o que foi precificado, parte da alta pode voltar. O segundo risco é o fiscal deste ano, que piorou. O terceiro é lá fora: juros americanos mais altos e petróleo instável.
Quais oportunidades podem ser avaliadas. Duas. Seguir aumentando aos poucos os títulos prefixados de prazo curto, que ainda pagam bem para um cenário de juros caindo. E aproveitar o dólar a R$ 5,00 para completar a parte internacional da carteira, para quem ainda está abaixo do que planejamos. Fazemos isso em parcelas, sem tentar acertar o dia.
Por que vamos manter a estratégia. Porque a carteira foi montada justamente para não depender de um único resultado. Não vou aumentar a bolsa antes do segundo turno só porque ela subiu. Se o cenário se confirmar, temos caixa e tempo para ajustar. Se não se confirmar, a diversificação protege. Os ajustes que estou fazendo são de composição, não de nível de risco.
A mensagem de longo prazo. Em três meses, o Fed mudou de direção, o petróleo subiu e caiu, a bolsa brasileira fez em um dia o que costuma levar meses, e a estratégia continuou a mesma. Isso não é falta de ação. É o que permite atravessar ciclos assim sem tomar decisões das quais a gente se arrepende depois.
19. Resumo
Cenário
- O Fed subiu os juros e o aperto virou movimento global, com BCE e Banco do Japão.
- O primeiro turno reduziu o prêmio de risco brasileiro em um único pregão.
- O Copom cortou a Selic para 13,75% e deve seguir cortando, com a inflação de volta perto do teto da meta.
Riscos
- Reversão da reprecificação depois do segundo turno.
- Fiscal de 2026 piorando enquanto a expectativa para 2027 melhora.
- Juros longos globais e petróleo pressionando a inflação.
Oportunidades
- Prefixados de prazo curto e intermediário.
- Dólar estrutural com o real em R$ 5,00.
- Títulos de inflação para horizontes longos.
Posicionamento
- Nível de risco mantido; ajustes só de composição.
- Bolsa brasileira neutra, com aumento apenas depois do segundo turno.
- Crédito de maior risco em redução e duration internacional curta.
Mensagem principal
O mercado antecipou uma boa notícia que ainda precisa acontecer, e a carteira não precisa antecipar junto.
20. Deliberações do comitê
Manter
- Caixa e liquidez. Opcionalidade antes de um evento binário. Todos os perfis, curto prazo. Mudaria com o fim da incerteza eleitoral e fiscal.
- Títulos indexados à inflação, duration de cerca de seis anos. Juro real alto e proteção diante da surpresa do IPCA-15. Todos os perfis, longo prazo. Mudaria com distorção forte da inflação implícita.
- Ações brasileiras no nível atual. Alta precificada antes da confirmação. Moderado e arrojado, médio prazo. Mudaria com o resultado do segundo turno e sinalização fiscal concreta.
- Ações americanas, com seletividade. Lucros sólidos, custo de capital maior. Moderado e arrojado, longo prazo. Mudaria com Treasury de 30 anos consolidada acima de 5,75%.
- Multimercados, fundos imobiliários de papel, alternativos e ouro. Diversificação. Conforme o perfil, médio e longo prazo. Mudaria com queda sustentada dos juros longos, no caso dos imobiliários.
Monitorar
- Segundo turno e primeiras sinalizações fiscais. Decisão central para bolsa, curva longa e câmbio. Todos os perfis, curto prazo.
- IPCA em doze meses perto de 4,50%. Gatilho para rever o ritmo dos cortes. Todos os perfis, curto prazo.
- Fed, Treasuries longas e petróleo. Aperto global e inflação. Todos os perfis, curto e médio prazo.
- Orçamento francês em 17/11. Risco fiscal europeu. Moderado e arrojado, curto prazo.
Avaliar aumento
- Prefixados até três anos. Ciclo de cortes confirmado. Todos os perfis, médio prazo, gradual. Mudaria com IPCA acima do teto por dois meses ou pausa do Copom.
- Dólar estrutural. Real em R$ 5,00. Todos os perfis abaixo da faixa estrutural, longo prazo, gradual. Mudaria com a exposição já na faixa do perfil.
- Ações brasileiras, depois do segundo turno. Só se a agenda fiscal for confirmada e só para quem está abaixo da alocação estratégica. Moderado e arrojado, médio prazo.
Avaliar redução
- Pós-fixados acima da necessidade de liquidez. Carrego em queda e fonte de recursos. Moderado e arrojado, gradual. Mudaria com pausa no ciclo de cortes.
- Crédito privado de maior risco. Inadimplência ainda subindo. Todos os perfis, nas próximas semanas, respeitando liquidez e deságio. Mudaria com estabilização dos indicadores de crédito.
- Concentração em tecnologia americana. Risco regulatório e de valuation. Arrojado, sem urgência.
Evitar
- Novas alocações em crédito high yield local. Prêmio não paga o risco. Todos os perfis, médio prazo.
- Alongar duration prefixada acima de três anos antes do segundo turno. Risco concentrado em uma data. Todos os perfis, curto prazo. Mudaria com confirmação fiscal.
- Ultrapassar o perfil de risco para acompanhar a alta de outubro. Todos os perfis, sempre.
- FIAgro em novas alocações. Decisão herdada de agosto e mantida, sem fato novo nos materiais que a altere.
Edições anteriores
Um comitê isolado é uma opinião. Uma sequência de comitês é um histórico que pode ser cobrado. Por isso mantenho no ar as edições anteriores, exatamente como foram escritas, sem reescrever nada com o benefício da informação que só apareceu depois.
| Edição | Tese central daquele mês | Onde ler |
|---|---|---|
| Setembro de 2026 | Juros longos globais estruturalmente mais altos, Selic caminhando para 13,25%, aumento gradual de prefixados até três anos e crédito privado no vermelho. | Comitê de setembro de 2026 |
| Agosto de 2026 | O risco de alta de juros nos Estados Unidos perdeu força e foi substituído por risco de prêmio de prazo, com a Selic encerrando o ciclo em 14,00%. | Comitê de agosto de 2026 |
| Julho de 2026 | O alívio geopolítico no Oriente Médio reduziu um risco de cauda, mas a estreia de Kevin Warsh no Fed deixou o ambiente global menos acomodatício. | Comitê de julho de 2026 |
As edições de julho e agosto foram publicadas de forma retroativa em 11 de setembro de 2026, a partir do material interno dos respectivos meses, e trazem essa observação logo na abertura. A de setembro foi publicada em 8 de setembro de 2026 e está mantida como foi escrita.
Quer discutir o que isso significa para a sua carteira?
Este material analisa o cenário, não carteiras individuais. A tradução disso para o seu caso depende dos seus objetivos, do seu horizonte e do seu perfil de risco, e essa conversa é individual.
Sou Sérgio Ferreirinha, CFP, sócio da Ocre Capital, uma assessoria de investimentos credenciada à XP. Meu modelo de remuneração é fee-based, com honorário ligado ao patrimônio assessorado e comissões recebidas pela distribuição de produtos devolvidas ao cliente. Você pode ver quem eu sou e como funciona o atendimento antes de qualquer conversa.
Pedir um diagnóstico da sua carteiraAviso importante. Este material tem caráter exclusivamente informativo e educacional e reflete a opinião pessoal do autor na data de sua publicação. Não constitui recomendação individual de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo, nem análise de valores mobiliários nos termos da Resolução CVM nº 20/2021. As informações foram elaboradas a partir de fontes públicas e de materiais de terceiros considerados confiáveis, incluindo o Relatório Mensal de Alocação e a atualização das Carteiras de Alocação da XP Investimentos referentes a outubro de 2026, com data-base entre 28/09/2026 e 05/10/2026, e o quadro de projeções macroeconômicas da XP, além de dados do IBGE, do Banco Central do Brasil, do TSE, do Federal Reserve, da Bloomberg e da Refinitiv. A seção de evolução das teses compara esta edição com o Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital referente a setembro de 2026.
As referências ao processo eleitoral descrevem a reação dos mercados e os riscos para carteiras de investimento. Não representam posicionamento político do autor nem da Ocre Capital.
Projeções e cenários são estimativas sujeitas a erro e podem não se concretizar. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Nenhum trecho deste material constitui promessa ou garantia de retorno. Todo investimento envolve risco, inclusive de perda do capital investido. Antes de investir, verifique a adequação do produto ao seu perfil de investidor e leia os documentos oficiais de cada ativo.
Os gráficos apresentados foram reconstruídos pela Ocre Capital a partir dos dados divulgados nos materiais citados, com a fonte original indicada em cada figura. Nos gráficos da curva americana e dos preços de energia, os valores foram lidos de forma aproximada a partir dos gráficos originais e servem para ilustrar a direção e a magnitude do movimento, não para uso como série de dados.
Ocre Capital AI Ltda. é um escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP Investimentos CCTVM S.A. Contato: contato@ocrecapital.com.br.
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Quem assina
Cofundador da Ocre Capital e editor do Acorda Investidor
CFP® · Assessor de investimentos certificado Ancord · Administração pela PUC-SP
Trabalha no mercado financeiro há mais de 15 anos. Passou por Interfloat, XP, Guide Investimentos e Banco Safra, em cargos comerciais e de liderança ligados a investimentos e expansão de negócios. Hoje é cofundador da Ocre Capital, assessoria de investimentos credenciada à XP que trabalha no modelo fee-based: a remuneração vem do patrimônio assessorado, e as comissões pagas pelos produtos são devolvidas ao cliente.