Comitê de Julho de 2026: o alívio veio do petróleo, o aperto veio dos bancos centrais
O que mudou no mês, onde vejo prêmio suficiente para justificar risco e por que, neste cenário, paciência disciplinada vale mais do que movimentação.
Escrevo este material uma vez por mês para responder a uma pergunta que ouço com frequência nas reuniões: o que mudou de verdade? Não é um relatório de notícias, nem uma lista de palpites sobre o próximo movimento do mercado. É o registro de como leio o cenário, quais riscos estou monitorando, onde vejo prêmio suficiente para justificar risco e, principalmente, onde a melhor decisão continua sendo não fazer nada.
Ele nasce separado da carta de acompanhamento que cada cliente recebe com a performance da própria carteira. Aqui não olho para nenhum portfólio específico. Olho para o ambiente. Depois, a conversa individual traduz esse ambiente para os objetivos, o horizonte e o perfil de cada um, que é justamente como funciona o atendimento que faço.
Julho de 2026 é um mês de inflexão sutil. O memorando entre Estados Unidos e Irã tirou da mesa um risco de cauda que vinha condicionando tudo, e o petróleo devolveu boa parte da alta. Ao mesmo tempo, a estreia de Kevin Warsh na presidência do Fed veio mais dura do que o mercado esperava, e o Copom cortou a Selic reconhecendo abertamente uma assimetria altista para a inflação. O saldo é um cenário marginalmente menos favorável para ativos de risco no curto prazo, sem que isso exija qualquer movimento brusco de carteira.
Uma observação de transparência: publiquei esta edição em 11 de setembro de 2026, de forma retroativa. O comitê de julho existiu como documento interno, usado nas reuniões daquele mês, e o que faço aqui é abrir esse mesmo material para completar o arquivo público. Nada foi ajustado com o benefício da informação que só apareceu depois. Se algo que eu escrevi em julho não se confirmou, você vai encontrar isso registrado na edição seguinte, que compara tema a tema o que mudou.
Como leio números neste material. Trabalho com probabilidades, não com previsões. Sempre que escrevo “tende a”, “no cenário-base” ou “aumenta a probabilidade”, é porque estou descrevendo o desfecho que considero mais provável, e não o único possível. Nenhuma linha aqui é promessa de rentabilidade, e nada disso é recomendação individual de compra ou venda.
1. Resumo executivo
O que mudou no mês. A natureza da comunicação dos bancos centrais. Na primeira reunião sob Warsh, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas elevou fortemente as projeções: a inflação PCE de 2026 saiu de 2,7% para 3,6% e a mediana de juros do FOMC para o ano saiu de 3,4% para 3,8%. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%, e ao mesmo tempo elevou sua projeção de IPCA no horizonte relevante (quarto trimestre de 2027) de 3,5% para 3,7%, explicitando uma assimetria altista no balanço de riscos. Cortar juros dizendo que a inflação vai ficar mais alta é uma mensagem mista, e o mercado leu assim.
O que permaneceu igual. Quase tudo o mais. A bolsa brasileira segue tecnicamente descontada e sem catalisador para uma reprecificação estrutural. O crédito privado segue sem sinais de estresse sistêmico, porém com dispersão setorial crescente. E o tema de inteligência artificial continua sustentando parte relevante do apetite por risco global, ainda que com sinais de fadiga pontuais nos ativos mais expostos ao tema.
O principal tema do mês. A recalibragem das expectativas de juros nas duas geografias. A mudança de tom do Fed e a sinalização de convergência mais lenta da inflação à meta no Brasil reduzem, juntas, a probabilidade de cortes adicionais de Selic além de agosto.
O maior risco. A combinação entre fragilidade fiscal doméstica, calendário eleitoral de 2026 e um ambiente externo que voltou a ficar menos acomodatício. Essa combinação é capaz de reabrir prêmios de risco de forma abrupta, e é esse encadeamento que monitoro com mais atenção.
A principal oportunidade. O prêmio de risco da bolsa brasileira e, em menor medida, os fundos imobiliários, cujos preços já parecem refletir boa parte do cenário desafiador. Isso não significa ausência de risco nem virada de fundamentos.
Ação ou paciência? Paciência disciplinada. O cenário ficou marginalmente menos favorável para ativos de risco no curto prazo por conta do recuo na probabilidade de flexibilização monetária dos dois lados do Equador, e mesmo assim a estratégia não exige ação. Os portfólios seguem adequadamente calibrados. Há pontos específicos de rebalanceamento tático que descrevo adiante, todos graduais e condicionais.
Semáforo geral dos mercados
2. O que aconteceu no mês
Memorando entre Estados Unidos e Irã e recuo do petróleo
O que aconteceu. Em 17 de junho, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento que estende o cessar-fogo por 60 dias, reabre o Estreito de Ormuz e libera parcialmente sanções e ativos iranianos. O tema nuclear ficou de fora.
Reação dos mercados. O petróleo Brent recuou de um pico próximo a US$ 120 por barril para cerca de US$ 70, ainda assim cerca de 20% acima do patamar pré-conflito.
Minha leitura. A reação parece razoável diante do fato concreto, que é a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz. O programa nuclear iraniano, porém, segue como fonte de risco de recrudescimento, e 60 dias é um prazo curto.
Estrutural ou tático. Tático, com possíveis desdobramentos estruturais caso o conflito se reacenda.
Impacto potencial. Reduz o risco de cauda inflacionário de curto prazo, mas não elimina o novo patamar de custos de energia nem a incerteza sobre a normalização plena da oferta.
Estreia de Kevin Warsh na presidência do Fed
O que aconteceu. Na primeira reunião sob a nova liderança, o Fed manteve os juros em 3,50% a 3,75%, adotou comunicação mais concisa, evitou forward guidance e elevou fortemente as projeções de inflação (PCE de 2026 de 2,7% para 3,6%) e de juros (mediana de 2026 de 3,4% para 3,8%).
Reação dos mercados. O mercado passou a precificar dois aumentos de 25 pontos-base nas Fed Funds ainda em 2026, as Treasuries de 2 anos subiram cerca de 14 pontos-base em poucos dias e o dólar, medido pelo DXY, valorizou 2,3% no mês.
Minha leitura. A reação parece proporcional a uma mudança genuína de tom. Ainda há incerteza sobre até que ponto a nova gestão manterá esse viés mais duro nas próximas reuniões, e é exatamente essa dúvida que mantenho na lista de monitoramento.
Estrutural ou tático. Estrutural na forma de comunicação do Fed, tático no nível exato de juros em 2026.
Impacto potencial. Ambiente global menos acomodatício, dólar mais forte e menor apetite marginal por risco em mercados emergentes nos próximos meses.
Copom corta a Selic para 14,25%, mas sinaliza cautela
O que aconteceu. Em decisão unânime, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%, elevou a projeção de IPCA para o horizonte relevante (quarto trimestre de 2027) de 3,5% para 3,7% e explicitou uma assimetria altista no balanço de riscos.
Reação dos mercados. A curva de juros doméstica reagiu com volatilidade elevada, e o Boletim Focus passou a projetar estabilização do IPCA ao redor de 4,0% no horizonte relevante, acima do que o próprio modelo do Banco Central projeta.
Minha leitura. A reação parece racional diante de uma mensagem mista, com corte de juros e discurso mais duro, e apareceu na abertura dos juros nominais mais longos. Quando o mercado projeta 4,0% e o Banco Central projeta 3,7%, essa diferença mede credibilidade da convergência.
Estrutural ou tático. Tático no ritmo dos cortes, estrutural na medida em que revela os limites do espaço de flexibilização monetária diante do quadro fiscal.
Impacto potencial. Reduz a probabilidade de cortes adicionais além de um último movimento em agosto, com a Selic estacionando perto de 14,00% ao final de 2026.
Choque de custos em semicondutores e componentes eletrônicos
O que aconteceu. O forte investimento global em infraestrutura de inteligência artificial pressionou os preços de memória e de componentes eletrônicos, ao ponto de levar a Apple a sinalizar reajustes de preço em seus produtos.
Reação dos mercados. O índice de preços ao produtor de componentes eletrônicos nos Estados Unidos acumula alta de quase 26% desde 2025, superando o índice cheio de preços ao produtor.
Minha leitura. A bolsa tem sido seletiva, distinguindo empresas capazes de repassar custos das mais expostas à pressão de margem. É o tipo de ambiente em que exposição passiva ampla entrega menos do que seleção.
Estrutural ou tático. Estrutural, associado ao ciclo de investimentos em inteligência artificial. Os efeitos inflacionários de curto prazo são mais táticos.
Impacto potencial. Pressão adicional sobre a inflação de bens nos Estados Unidos e no Brasil, e maior dispersão de resultados entre setores da bolsa global.
Bancos centrais da Zona do Euro e do Japão elevam juros
O que aconteceu. Ambas as autoridades monetárias subiram suas taxas em 25 pontos-base, sinalizando possibilidade de novos aumentos.
Reação dos mercados. O movimento reforça a leitura de um ambiente global de juros mais altos e de menor liquidez, pressionando ativos de risco de forma geral.
Minha leitura. Reação em linha com o esperado, dado o pano de fundo inflacionário desconfortável nessas economias. O que importa aqui é o efeito somado: três bancos centrais relevantes apertando ou sinalizando aperto ao mesmo tempo.
Estrutural ou tático. Tático no momento exato dos movimentos, conectado ao tema estrutural de uma era de juros reais mais altos globalmente.
Impacto potencial. Custo de capital global mais elevado, com efeitos indiretos sobre o apetite por ativos de mercados emergentes.
3. Cenário macroeconômico global
Estados Unidos
A atividade americana segue resiliente. Ela se sustenta na forte criação líquida de empregos dos últimos três meses, na taxa de desemprego estável e no efeito riqueza gerado tanto pela valorização da bolsa quanto pelo ciclo de investimento em inteligência artificial. A inflação, porém, voltou a acelerar: o CPI cheio passou de 3,8% para 4,2% em 12 meses na leitura de maio, puxado por combustíveis, embora o núcleo tenha vindo abaixo do esperado, o que sugere repasse ainda contido do choque de energia. O PCE, medida preferida do Fed, acumula alta de 4,1%, bem acima da meta.
Na comunicação, a chegada de Warsh trouxe uma mudança estrutural de postura: menos forward guidance, criação de forças-tarefa para revisar balanço e práticas de comunicação, e discurso enfático sobre corrigir cinco anos de descumprimento da meta de inflação. Esse tom se refletiu rápido na curva, com as Treasuries de 2 anos subindo cerca de 14 pontos-base, e no dólar, que voltou a se valorizar (DXY com alta de 2,3% em junho) e a retomar sua correlação tradicional com os juros de curto prazo.
Em valuation, tecnologia e energia lideram o desempenho do S&P 500 em 2026, enquanto financeiro e saúde ficam para trás, uma dispersão setorial que reforça a importância da seleção em detrimento da exposição passiva ao índice. Do lado fiscal, o elevado déficit americano sustenta prêmios de prazo mais altos nas Treasuries longas.
Tiro três implicações diretas. Primeira: dólar mais forte tende a ser vento contrário para emergentes no curto prazo. Segunda: juros americanos mais altos por mais tempo elevam o custo de oportunidade de ativos de risco globais. Terceira: a dispersão de resultados corporativos ligados à inteligência artificial deve seguir como o principal motor idiossincrático da bolsa americana.
Europa
Os materiais que analisei indicam que o Banco Central Europeu elevou juros em 25 pontos-base em resposta a uma inflação ainda desconfortável, sinalizando possibilidade de novos aumentos. Somado ao Banco do Japão, isso reforça a leitura de um ambiente monetário global menos acomodatício. Sobre o resto, sou honesto: os dados de atividade, a composição da inflação europeia, os riscos fiscais específicos por país e os riscos políticos regionais não constam de forma suficientemente detalhada no material que tenho em mãos. Os materiais não permitem uma conclusão segura sobre esses pontos, e prefiro recomendar cautela a extrapolar teses mais granulares para a região sem informação adicional.
China
Aqui a limitação é maior. Os materiais disponíveis trazem apenas menções indiretas à China, no contexto de commodities metálicas: a demanda doméstica chinesa por minério de ferro segue relativamente mais fraca, parcialmente compensada por exportações, infraestrutura e manufatura, o que sustenta uma visão neutra para produtoras como a Vale. Dados mais amplos sobre crescimento do PIB, setor imobiliário, estímulos governamentais, consumo doméstico e comércio exterior não estão detalhados. Não tenho material suficiente para uma leitura firme sobre a China neste mês, e prefiro registrar isso a fingir convicção. A consequência prática é cautela redobrada em qualquer posicionamento tático específico ao país até que informação mais completa esteja disponível para o próximo comitê.
Demais regiões
No desempenho acionário acumulado de 2026, os mercados emergentes são o destaque positivo do ano, com alta de 25,4%, à frente inclusive do mercado americano, beneficiados pela intensificação de fluxos de capital após o início e a resolução parcial do conflito no Oriente Médio. A bolsa chinesa aparece como a principal exceção negativa entre as regiões monitoradas, com queda de 8,5% no ano, um dado que reforça a cautela que registrei acima. Japão sobe 15,1%, Europa 7,0% e Reino Unido 6,7%.
Período: acumulado de 2026 até a data-base de 30/06/2026 Unidade: % de variação acumulada no ano por região
Leitura. Os mercados emergentes são o destaque positivo do ano, com alta de 25,4%, à frente inclusive do mercado americano, beneficiados pela intensificação de fluxos de capital após o início e a resolução parcial do conflito no Oriente Médio. A bolsa chinesa é a principal exceção negativa entre as regiões monitoradas, com queda de 8,5%. Japão, Europa e Reino Unido aparecem no positivo, porém bem atrás dos emergentes. O material não traz o número do índice americano cheio para o ano, apenas a informação de que os emergentes estão à frente dele, então o mercado americano não foi plotado.
Fonte: material interno do Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital, com dados de mercado citados pela XP, data-base 30/06/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.Geopolítica
O evento central do mês foi o memorando entre Estados Unidos e Irã, que reduziu a probabilidade de um choque extremo de oferta de petróleo ao reabrir o Estreito de Ormuz e estender o cessar-fogo por 60 dias. A ausência de acordo sobre o programa nuclear mantém uma cauda de risco relevante: as negociações do período de extensão podem tanto consolidar a normalização quanto reacender tensões. Do ponto de vista de portfólio, o que mais me importa é outro: mesmo após a forte queda, o petróleo segue cerca de 20% acima do início do ano, e esse novo patamar de custos já se difundiu pela cadeia produtiva global.
Balanço do cenário global
Vetores positivos. Normalização parcial do petróleo, ciclo de investimento em inteligência artificial sustentando lucros e crescimento, mercado de trabalho americano ainda forte e fluxos para emergentes reagindo à melhora geopolítica.
Vetores negativos. Fed mais duro sob nova liderança, dólar mais forte, Banco Central Europeu e Banco do Japão em ciclo de alta, déficits fiscais elevados nas principais economias e pressão de custos em semicondutores.
Cenário-base de três a seis meses. Juros americanos e europeus permanecem elevados ou sobem marginalmente, o dólar se mantém relativamente forte, o petróleo estabiliza entre US$ 65 e US$ 80 por barril na ausência de novo choque, e a inflação global converge apenas gradualmente às metas. É o ambiente de juros altos por mais tempo, com seletividade maior nos ativos de risco.
4. Cenário macroeconômico do Brasil
Atividade
A atividade doméstica surpreendeu para cima no primeiro trimestre de 2026, e a XP mantém projeção de crescimento do PIB de 2,0% para o ano, próximo ao potencial, com balanço de riscos assimétrico para cima. O impulso vem de um mercado de trabalho aquecido e de medidas fiscais de estímulo à demanda. O elevado grau de endividamento de famílias e empresas, somado à maior pressão inflacionária vinda do choque de petróleo, deve começar a cobrar seu preço em 2027, ano para o qual a projeção da XP recua para 1,0%.
Inflação
A inflação segue como o principal desconforto do cenário doméstico. O IPCA acumulado em 12 meses avançou de 4,39% para 4,72% em maio, com composição ainda pressionada. A inflação de bens industrializados subiu de 2,40% para 2,67% no acumulado, refletindo o choque de petróleo, enquanto a de serviços, ainda elevada em 5,22% em 12 meses, mostrou recuo marginal favorecido pelo mercado de trabalho aquecido. O IPCA-15 de junho trouxe sinal mais construtivo, com desaceleração nos preços de alimentos, mas não o suficiente para mudar a leitura de um quadro desafiador. A projeção da XP para o IPCA de 2026 é de 5,2%, e a convergência ao centro da meta projetada pelo próprio Banco Central só aparece no primeiro trimestre de 2028.
Política monetária
A Selic está em 14,25% depois do corte de 25 pontos-base decidido por unanimidade. O ponto relevante não é o corte, é o texto: o Copom elevou sua projeção de IPCA no horizonte relevante para 3,7% e explicitou assimetria altista de riscos. Isso reduz a probabilidade de cortes adicionais além de um último movimento em agosto, com a Selic estacionando perto de 14,00% ao final de 2026, segundo a projeção da XP. Para 2027, a projeção da XP é de 11,50%, condicionada a fiscal e atividade.
Fiscal
A arrecadação bate recordes, com crescimento real de 5,4% até abril, e isso não tem sido suficiente para reverter a trajetória da dívida. A XP projeta déficit primário de 0,4% do PIB em 2026, com a dívida bruta do governo geral subindo de 83,3% para 88,2% do PIB entre 2026 e 2027, e a dívida líquida do setor público saindo de 69,7% para 74,5% no mesmo período. Medidas de despesa anunciadas desde meados do ano passado somam R$ 117,3 bilhões, ou 0,9% do PIB, das quais 73% têm impacto financeiro e, por isso, não estão sujeitas às regras fiscais vigentes. O desafio fiscal está do lado das despesas, e deverá ser um dos temas centrais do próximo mandato presidencial.
Período: projeções da XP para 2026 e 2027 Unidade: % do PIB por ano
Leitura. A arrecadação bate recordes, com crescimento real de 5,4% até abril, e isso não reverte a trajetória da dívida. A XP projeta a dívida bruta do governo geral saindo de 83,3% para 88,2% do PIB entre 2026 e 2027, e a dívida líquida do setor público saindo de 69,7% para 74,5% no mesmo período. São cerca de cinco pontos percentuais de piora em cada medida em um único ano. É esse desenho que sustenta prêmio fiscal na parte longa da curva de juros e que faz da trajetória fiscal o principal risco doméstico do comitê.
Fonte: projeções da XP reproduzidas no material interno do Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.Câmbio
O câmbio, que se beneficiou da depreciação do dólar global até meados do ano passado, reverteu parte desse movimento e estabilizou-se em torno de R$ 5,20 por dólar, patamar semelhante ao pré-conflito no Oriente Médio. A projeção da XP para o final de 2026 é de R$ 5,00, e de R$ 5,30 para 2027, refletindo o balanço entre um ambiente externo menos favorável, com dólar mais forte e juros americanos mais altos, e uma balança comercial ainda forte, com projeção de US$ 70,2 bilhões em 2026.
Política
O quadro político-eleitoral, com as eleições presidenciais de 2026 no horizonte, já é apontado como um dos fatores que impedem uma reprecificação mais consistente da bolsa doméstica. Ele se soma aos juros elevados, à inflação persistente e à baixa exposição estrutural do mercado brasileiro ao tema de inteligência artificial, principal motor de valorização das bolsas globais.
Síntese do quadro doméstico
- O que ajuda a economia. Mercado de trabalho aquecido, arrecadação recorde, balança comercial forte e estímulos fiscais à demanda.
- O que limita o crescimento. Juros reais elevados por mais tempo, endividamento de famílias e empresas, e o desgaste natural do ciclo de estímulos.
- O que pressiona a inflação. O novo patamar do petróleo, o câmbio menos favorável que no ano anterior e o risco de efeitos climáticos (El Niño) sobre alimentos e energia na segunda metade do ano.
- O que pode permitir queda de juros. Uma desaceleração mais consistente da atividade em 2027 e eventual sinalização de ajuste fiscal pelo próximo mandato presidencial.
- O que pode impedir queda de juros. A persistência da inflação de bens industrializados, a deterioração fiscal e um ambiente externo menos acomodatício.
- O que pode alterar o prêmio de risco brasileiro. Sinalizações do quadro eleitoral sobre a política fiscal do próximo governo, e eventuais choques externos adicionais em petróleo ou juros americanos.
5. Atualização das projeções macroeconômicas
A tabela abaixo compara as projeções mais recentes da XP com a leitura anterior de mercado, do Boletim Focus e do Relatório de Política Monetária, conforme o material que analisei. A coluna de impacto é minha leitura, não da fonte.
| Indicador | Projeção anterior | Projeção atual (XP 2026/2027) | Direção | Impacto nos ativos |
|---|---|---|---|---|
| IPCA 2026 | cerca de 4,4% (leitura de abril) | 5,2% | Revisão para cima | Pressiona juro real e reforça preferência por renda fixa indexada à inflação |
| IPCA no horizonte relevante (4T27) | 3,5% | 3,7% (Copom) | Revisão para cima | Reduz espaço para cortes adicionais de Selic |
| Selic fim de 2026 | trajetória de cortes mais rápida | 14,00% (após 1 corte adicional em agosto de 2026) | Revisão para cima, com menos cortes | Sustenta atratividade do pós-fixado e limita ganho de capital em prefixados longos |
| Selic fim de 2027 | sem projeção anterior | 11,50% | Nova projeção | Retomada do ciclo de corte condicionada a fiscal e atividade |
| PIB 2026 | em linha | 2,0% | Mantida, com viés de alta | Suporta lucros domésticos, mas sem alterar a tese de bolsa |
| PIB 2027 | sem projeção anterior | 1,0% | Nova projeção, com desaceleração | Sinaliza atenção a setores mais cíclicos em 2027 |
| Câmbio fim de 2026 | tendência de valorização do real | R$ 5,00 | Revisão de reversão parcial | Reduz o componente de proteção cambial pura no cenário-base |
| Resultado primário 2026 (% do PIB) | -0,3% | -0,4% | Revisão para pior | Mantém prêmio de risco fiscal na curva longa |
| Dívida bruta 2027 (% do PIB) | 83,3% (2026) | 88,2% | Trajetória de alta | Sustenta inclinação positiva da curva de juros nominal |
| Juros Fed Funds 2026 (mediana do FOMC) | 3,4% | 3,8% | Revisão para cima | Dólar mais forte e pressão sobre emergentes |
| Inflação PCE Estados Unidos 2026 | 2,7% | 3,6% | Forte revisão para cima | Reforça o viés mais duro do Fed e o prêmio de prazo nas Treasuries |
Fonte: projeções da XP e do Copom, além da mediana do FOMC, conforme o material interno do comitê, data-base 30/06/2026. Projeção anterior corresponde à leitura de mercado disponível antes das revisões do mês.
Período: revisões de projeção divulgadas até 30/06/2026 Unidade: % ao ano por indicador
Leitura. As quatro revisões do mês vão na mesma direção, para cima. A maior é a do PCE americano de 2026, que sai de 2,7% para 3,6%, quase um ponto percentual, acompanhada da mediana de juros do FOMC, que sai de 3,4% para 3,8%. No Brasil, a projeção da XP para o IPCA de 2026 vai de cerca de 4,4% para 5,2%, e a projeção do Copom para o horizonte relevante vai de 3,5% para 3,7%. A leitura anterior do IPCA de 2026 é aproximada, referente a abril, e está marcada como tal na fonte.
Fonte: projeções da XP, do Copom e mediana do FOMC, reproduzidas no material interno do Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. A projeção anterior do IPCA de 2026, de cerca de 4,4%, é a leitura de abril e consta na origem como valor aproximado. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.As revisões mais relevantes do mês estão do lado americano. A alta de quase um ponto percentual na projeção de inflação PCE para 2026 e a correspondente elevação na mediana de juros do FOMC mudam a lógica de alocação global de curto prazo, porque reduzem a probabilidade de um ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos neste ano. No Brasil, a revisão da meta relevante de inflação para 3,7% e a manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo já parecem parcialmente precificadas na curva doméstica, dada a forte volatilidade observada após a última reunião do Copom.
O que ainda pode gerar movimentos relevantes é a trajetória fiscal doméstica. Se as medidas de despesa anunciadas se confirmarem sem contrapartida de ajuste, a deterioração da dívida bruta pode pressionar mais o prêmio de risco na parte longa da curva, com efeitos sobre câmbio e bolsa. É o canal mais direto entre política e preço de ativo neste ano.
6. Leitura das curvas de juros
Curva de juros brasileira
Começo por uma ressalva de método. O material de origem traz leituras de vértice pouco consistentes entre si, com valores que não formam uma curva coerente quando colocados lado a lado, e por isso prefiro não plotar a curva nominal brasileira neste mês. Descrevo apenas o que considero seguro afirmar.
O juro nominal curto está em patamar historicamente alto, próximo ao teto dos últimos quatro anos, o que é coerente com uma Selic de 14,25% e com a incerteza sobre o ritmo de cortes. O trecho longo da curva tem inclinação positiva, e essa inclinação embute tanto prêmio inflacionário quanto prêmio fiscal, mais do que apenas expectativa de trajetória de juros. Em outras palavras, o investidor que alonga prazo hoje está sendo pago para carregar risco fiscal e eleitoral, não só para esperar a Selic cair.
O prêmio real de longo prazo permanece elevado em termos históricos. A inflação implícita nos vencimentos de 8 anos está em 5,81%, contra 4,97% nos vencimentos de 2 anos. É uma curva de inflação implícita ascendente, que reflete tanto o risco fiscal quanto a incerteza inflacionária estrutural. A volatilidade recente, especialmente depois da reunião do Copom, sugere que o mercado ainda está calibrando o real espaço de flexibilização monetária diante de um Banco Central que reconhece riscos altistas e ao mesmo tempo prefere uma trajetória mais suave de cortes.
Período: leitura de curva na data-base de 30/06/2026 Unidade: % ao ano por vencimento
Leitura. São os dois únicos pontos de inflação implícita que o material de origem informa de forma explícita, e por isso o gráfico traz duas barras, não uma curva. A implícita de 8 anos, em 5,81%, está bem acima da de 2 anos, em 4,97%, o que configura uma curva de inflação implícita ascendente. Leio esse formato como reflexo de risco fiscal somado a incerteza inflacionária estrutural, e não como simples expectativa de inflação mais alta no futuro distante. É a razão pela qual defendo seletividade de duration na parcela indexada à inflação, em vez de alongamento.
Fonte: material interno do Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. Apenas os dois vencimentos citados de forma explícita na origem foram plotados. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.Minha leitura: a combinação de juro nominal elevado nos vértices curtos com prêmio de inflação também elevado nos vértices longos não configura, isoladamente, um excesso de prêmio a ser capturado de forma agressiva. Parte relevante desse prêmio reflete riscos fiscais e eleitorais genuínos, e não apenas distorção técnica. A postura que defendo é de seletividade, com preferência por vértices intermediários tanto em prefixados quanto em títulos indexados à inflação, evitando alongamentos excessivos de duration.
Curva de juros americana
As Treasuries de curto prazo reagiram rápido à comunicação mais dura do novo Fed, com alta de cerca de 14 pontos-base nas taxas de 2 anos em poucos dias depois da reunião de junho. A curva americana, que no fim de 2025 ainda embutia expectativa de cortes, passou a precificar dois aumentos adicionais de 25 pontos-base nas Fed Funds ao longo de 2026, uma inversão de expectativas relevante frente ao cenário de poucos meses atrás.
A inflação implícita e o prêmio de prazo nos vencimentos mais longos seguem pressionados pelo elevado déficit fiscal americano, tema estrutural que não se resolve no curto prazo. O impacto sobre o dólar já é visível: o DXY valorizou 2,3% em junho, e a correlação entre o dólar e os juros de curto prazo, que havia se enfraquecido no último ano em meio às incertezas de política econômica americana, parece estar se normalizando.
Tomado em conjunto, o movimento das curvas não configura oportunidade evidente de alongamento de duration em nenhuma das duas geografias no cenário-base. Ao contrário, recomenda cautela, porque o prêmio de prazo pode continuar se ajustando para cima caso a postura mais dura do Fed se confirme nas próximas reuniões. Para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, o ambiente de juros americanos mais altos e dólar mais forte tende a ser, na margem, um vento contrário para o apetite por risco nos próximos meses.
7. Perspectivas por classe de ativo
Antes das classes, o retrato do mês. Junho trouxe retornos pequenos e sinais cruzados: renda fixa indexada e fundos listados no negativo por causa da abertura da curva, multimercados levemente positivos e o dólar como o movimento mais visível.
Período: mês de junho de 2026 Unidade: % de variação no mês por índice
Leitura. Nenhum dos movimentos do mês é grande, e é justamente isso que o gráfico mostra. O dólar, medido pelo DXY, é a única variação acima de um ponto percentual, com alta de 2,3%, e responde diretamente à comunicação mais dura do Fed. Do lado negativo estão os ativos sensíveis à abertura da curva de juros doméstica, com o IFIX em queda de 1,2% e o IMA-B em queda de 1,0%. O IHFA, dos multimercados, sobe 0,5%, e o S&P 500 recua 0,4% após a perda de tração das ações ligadas à inteligência artificial na segunda metade do mês. Índices de naturezas diferentes estão no mesmo gráfico apenas para dar a dimensão relativa do mês.
Fonte: material interno do Comitê Mensal de Investimentos da Ocre Capital, com dados de mercado citados pela XP, data-base 30/06/2026. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.Caixa e liquidez Mais favorável
- O que mudou
- Nenhuma alteração relevante no mês. Segue como a principal reserva tática do portfólio.
- Tese principal
- Com Selic em 14,25% e Banco Central sinalizando cautela adicional, o caixa remunerado oferece carrego elevado sem risco de mercado, e funciona como munição para aproveitar eventuais aberturas de prêmio.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica. O carrego é observável e não depende de reprecificação.
- Principais riscos
- Custo de oportunidade caso o ciclo de cortes se acelere de forma inesperada.
- Horizonte
- Curto prazo.
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Manter.
Pós-fixados Mais favorável
- O que mudou
- Nenhuma alteração de alocação recomendada pela XP para julho. A classe segue acima do nível neutro nas carteiras recomendadas pela XP.
- Tese principal
- Em ambiente de Selic elevada por mais tempo, o carrego nominal e real do CDI segue atrativo, funcionando como âncora de estabilidade e preservação de capital.
- O mercado já precificou?
- Sim. O carrego é função direta da Selic corrente, e não há prêmio adicional a capturar além do juro observável.
- Principais riscos
- Corte mais acelerado da Selic em 2027 reduziria o carrego marginal frente a outras classes.
- Horizonte
- Curto e médio prazo.
- Convicção
- ★★★★★
- Direcionamento
- Manter.
Prefixados Neutra
- O que mudou
- Taxas nominais seguem em patamar historicamente elevado, sem alteração relevante na recomendação de alocação no mês.
- Tese principal
- Os níveis atuais de taxa capturam de forma razoável os riscos de inflação resiliente e incerteza fiscal. A preferência é por vértices intermediários.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. O prêmio nos vértices longos ainda reflete incerteza eleitoral que pode se acentuar ou se dissipar ao longo do semestre.
- Principais riscos
- Volatilidade elevada em vencimentos longos diante de ruído fiscal ou eleitoral.
- Horizonte
- Médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter.
Títulos indexados à inflação Mais favorável
- O que mudou
- Juros reais seguem elevados em termos históricos. A leve abertura das taxas reais pressionou o desempenho no mês, com o IMA-B em queda de 1,0% em junho.
- Tese principal
- Juro real elevado sustenta a atratividade da classe como proteção de médio e longo prazo contra inflação persistente.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. O prêmio de inflação implícita mais alto nos vencimentos longos, de 5,81% em 8 anos, já reflete parte do risco, mas exige seletividade de duration.
- Principais riscos
- Volatilidade adicional caso a inflação implícita de longo prazo continue se ajustando para cima.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Manter, evitando alongamentos excessivos de duration.
Crédito privado de alta qualidade Mais favorável
- O que mudou
- Custo de capital dos emissores segue elevado, sem sinais de estresse sistêmico.
- Tese principal
- Emissões de maior qualidade, com menor duration, equilibram carrego atrativo e controle prudente de risco em ambiente de maior dispersão idiossincrática.
- O mercado já precificou?
- Sim, em grande parte. Os spreads de qualidade já embutem prêmio adequado ao ciclo de juros altos.
- Principais riscos
- Contágio de setores mais pressionados (óleo e gás, utilidades, alimentos e agropecuária) para a percepção geral da classe.
- Horizonte
- Curto e médio prazo.
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Manter.
Crédito privado de maior risco Menos favorável
- O que mudou
- Forte alta no número de rebaixamentos de rating e de perspectivas de crédito nos últimos meses, sobretudo em setores mais sensíveis ao ciclo.
- Tese principal
- O prêmio pode compensar o risco em casos específicos, mas a avaliação individual de alavancagem e liquidez do emissor se tornou mais determinante que a média do mercado.
- O mercado já precificou?
- Não integralmente. A dispersão crescente sugere que nem todo o risco idiossincrático está refletido nos spreads.
- Principais riscos
- Deterioração de crédito em óleo e gás, utilidades públicas, alimentos e agropecuária.
- Horizonte
- Curto e médio prazo.
- Convicção
- ★★☆☆☆
- Direcionamento
- Reduzir gradualmente exposições concentradas em emissores mais frágeis, e evitar novas posições sem seleção criteriosa.
Debêntures incentivadas Neutra
- O que mudou
- Os materiais que analisei não trazem atualização específica sobre o segmento incentivado no mês, e registro isso em vez de preencher a lacuna.
- Tese principal
- A isenção fiscal segue relevante para pessoa física, mas exige a mesma seletividade de crédito aplicada às demais emissões privadas.
- O mercado já precificou?
- Os materiais não permitem uma conclusão segura sobre este ponto específico.
- Principais riscos
- Concentração setorial em infraestrutura e sensibilidade a ciclos de obras e regulação.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter.
Fundos de crédito Neutra
- O que mudou
- Maior dispersão entre gestores e emissores exige seleção mais cuidadosa dos veículos.
- Tese principal
- Fundos com processo de crédito sólido e diversificação adequada continuam sendo a via preferencial de acesso à classe, sobretudo diante do aumento de rebaixamentos de rating.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente.
- Principais riscos
- Concentração excessiva em poucos emissores ou veículos, e iliquidez em momentos de estresse.
- Horizonte
- Médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com atenção à qualidade do gestor.
Fundos multimercados Neutra
- O que mudou
- Desempenho positivo no mês, com o IHFA em alta de 0,5%, em linha com a alocação próxima ao neutro recomendada pela XP.
- Tese principal
- Em ambiente de maior incerteza, gestores com estratégias macro e long and short tendem a lidar melhor com a volatilidade, capturando valor por posições direcionais e relativas.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica diretamente. O retorno depende da habilidade do gestor, não de uma tese única de mercado.
- Principais riscos
- Dispersão de performance entre gestores e risco de seleção.
- Horizonte
- Médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com preferência por gestores de histórico consistente.
Fundos imobiliários Mais favorável
- O que mudou
- O IFIX recuou 1,2% em junho, pressionado pela abertura da curva de juros, mas os fundamentos operacionais seguem em melhora gradual, com ocupação em alta e sem deterioração relevante de crédito nos segmentos de maior qualidade.
- Tese principal
- A reprecificação recente tornou diversos ativos da classe mais atrativos, com destaque para lajes corporativas em São Paulo, sustentadas por reajustes de aluguel e oferta restrita.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Parte relevante do risco macro e da trajetória de juros já parece incorporada aos preços, mas o segmento de FIAgro segue mais vulnerável.
- Principais riscos
- Nova abertura da curva de juros e deterioração de crédito no agronegócio.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com seletividade e cautela adicional em FIAgro.
Ações brasileiras Neutra
- O que mudou
- Mesmo com a melhora das tensões geopolíticas globais, o Ibovespa não reagiu de forma consistente, o que reforça que os preços seguem ancorados em fatores domésticos: juros, fiscal e eleições.
- Tese principal
- O prêmio de risco do Ibovespa se ampliou com o ajuste de valuation, mas essa melhora reflete mais o desconto de preço do que uma evolução de fundamentos. Registro a diferença porque ela muda o tamanho da posição que faz sentido.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Parte relevante dos riscos conhecidos já está nos preços, sem confirmação de reversão de fundamentos.
- Principais riscos
- Ruído eleitoral crescente, juros domésticos elevados por mais tempo e baixa exposição estrutural ao tema de inteligência artificial.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter, com preferência por empresas de maior qualidade, balanços resilientes e forte geração de caixa.
Small caps brasileiras Menos favorável
- O que mudou
- Os materiais que analisei não trazem atualização específica e granular sobre o desempenho de small caps no mês.
- Tese principal
- Historicamente mais sensíveis ao custo de capital doméstico, tendem a sofrer mais em ambiente de juros elevados, e podem se beneficiar de forma desproporcional caso o ciclo de cortes seja retomado com mais força em 2027.
- O mercado já precificou?
- Os materiais não permitem uma conclusão segura sobre este ponto.
- Principais riscos
- Menor liquidez, maior sensibilidade a juros domésticos e ao ciclo de crédito.
- Horizonte
- Longo prazo.
- Convicção
- ★★☆☆☆
- Direcionamento
- Manter posições estruturais existentes e evitar novas alocações relevantes sem convicção adicional.
Ações americanas Mais favorável
- O que mudou
- O S&P 500 recuou 0,4% em junho após perda de tração das ações ligadas à inteligência artificial na segunda metade do mês, e o índice segue com forte alta acumulada em 2026, com o setor de tecnologia em alta de 32,8% no ano.
- Tese principal
- O ciclo de investimento em inteligência artificial segue como vetor estrutural, mas o ambiente de juros mais altos deve limitar expansão adicional de múltiplos, tornando o retorno mais dependente da geração efetiva de resultados.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Os setores mais expostos ao tema já embutem expectativas elevadas de crescimento, o que aumenta a assimetria entre vencedores e perdedores.
- Principais riscos
- Concentração setorial em tecnologia, revisão de múltiplos caso os resultados não confirmem as expectativas embutidas nos preços, e juros americanos mais altos por mais tempo.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★★☆
- Direcionamento
- Manter, com preferência por seleção de ativos frente à exposição passiva ampla ao índice.
Ações internacionais fora dos Estados Unidos Neutra
- O que mudou
- Desempenho positivo, porém inferior ao americano e ao de emergentes no acumulado de 2026, com Europa em alta de 7,0%, Japão de 15,1% e Reino Unido de 6,7%.
- Tese principal
- Oferece diversificação geográfica e setorial relevante frente à concentração tecnológica americana, com menor exposição ao tema estrutural de inteligência artificial.
- O mercado já precificou?
- Os materiais não permitem uma conclusão granular sobre valuation regional específico.
- Principais riscos
- Juros em alta na Zona do Euro e no Japão, e menor dinamismo de crescimento estrutural comparado aos Estados Unidos.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter como componente de diversificação.
Mercados emergentes Mais favorável
- O que mudou
- Emergentes lideram o desempenho acionário global em 2026, com alta de 25,4%, beneficiados pelo fluxo de capital durante o conflito no Oriente Médio. O dólar mais forte e os juros americanos mais altos reduzem esse vento a favor na margem.
- Tese principal
- A classe se beneficia de valuation relativo atrativo frente aos mercados desenvolvidos, mas depende de um ambiente de dólar estável ou mais fraco para sustentar os fluxos.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Grande parte do movimento positivo do ano já ocorreu, e o espaço para continuidade depende da trajetória do dólar e dos juros americanos.
- Principais riscos
- Reversão de fluxo caso o Fed mantenha postura mais dura, e dólar mais forte.
- Horizonte
- Médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter.
Commodities Neutra
- O que mudou
- O petróleo Brent recuou mais rápido que o esperado, de um pico de US$ 120 para cerca de US$ 70 por barril, ainda cerca de 20% acima do início do ano.
- Tese principal
- A normalização geopolítica reduz o risco de novo choque de oferta extremo, mas o novo patamar de custos deve se manter parcialmente, sustentando pressão inflacionária residual.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. Os contratos futuros para 2027 já embutem parte dessa normalização.
- Principais riscos
- Reacendimento do conflito no Oriente Médio e efeitos climáticos (El Niño) sobre preços agrícolas e de energia.
- Horizonte
- Curto e médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter exposição tática moderada, sobretudo via empresas produtoras.
Ouro Mais favorável
- O que mudou
- Os materiais que analisei não trazem dado de preço específico no mês, mas relatórios setoriais mantêm viés positivo para produtoras auríferas, sustentado por fundamentos ainda favoráveis para o metal.
- Tese principal
- Funciona como proteção de cauda em cenário de inflação persistente, incerteza geopolítica e política monetária em transição nos Estados Unidos.
- O mercado já precificou?
- Os materiais não permitem uma conclusão segura sobre o nível de precificação atual do metal.
- Principais riscos
- Custo de oportunidade caso os juros reais globais subam de forma mais acentuada.
- Horizonte
- Médio e longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter como proteção estrutural, sem posições concentradas.
Dólar e moedas Neutra
- O que mudou
- O DXY valorizou 2,3% em junho e o real se estabilizou perto de R$ 5,20, revertendo parte da tendência de valorização observada em 2025.
- Tese principal
- A retomada da correlação entre dólar e juros de curto prazo americanos, somada à comunicação mais dura do Fed, sustenta um dólar relativamente mais forte no curto prazo.
- O mercado já precificou?
- Parcialmente. A reversão de junho já capturou boa parte da mudança de expectativa sobre o Fed.
- Principais riscos
- Reversão abrupta caso o Fed sinalize recuo do tom mais duro, e volatilidade cambial associada ao ciclo eleitoral brasileiro.
- Horizonte
- Curto e médio prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Manter proteção cambial tática para perfis com exposição internacional relevante.
Ativos alternativos Mais favorável
- O que mudou
- Nenhuma alteração de alocação recomendada no mês. A XP reforça a importância crescente da classe na eficiência de portfólios de longo prazo.
- Tese principal
- A combinação entre estratégias líquidas e ilíquidas amplia a diversificação efetiva e o acesso a temas estruturais e oportunidades específicas, ainda que exija disciplina de liquidez e seleção de gestores.
- O mercado já precificou?
- Não se aplica de forma direta, dada a natureza pouco líquida e a diversidade de subclasses, que inclui crédito estruturado, private equity, venture capital, distressed assets, ativos judiciais e fundos temáticos.
- Principais riscos
- Iliquidez, concentração em veículo único e dependência da qualidade do gestor.
- Horizonte
- Longo prazo.
- Convicção
- ★★★☆☆
- Direcionamento
- Aumentar gradualmente apenas para perfis com horizonte e tolerância à iliquidez compatíveis.
8. Matriz de convicção
| Classe de ativo | Viés | Convicção | Horizonte | Principal fundamento | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|
| Pós-fixado | Muito positivo | ★★★★★ | Curto e médio | Carrego elevado com Selic em patamar restritivo | Corte de juros mais acelerado em 2027 |
| Inflação (IPCA+) | Positivo | ★★★★☆ | Médio e longo | Juro real historicamente elevado | Alongamento excessivo de duration |
| Prefixado | Neutro | ★★★☆☆ | Médio | Taxas nominais historicamente altas nos vértices intermediários | Volatilidade fiscal e eleitoral nos vértices longos |
| Crédito privado (alta qualidade) | Positivo | ★★★★☆ | Curto e médio | Spread adequado ao ciclo, sem estresse sistêmico | Contágio de setores mais fracos |
| Crédito privado (maior risco) | Negativo | ★★☆☆☆ | Curto e médio | Prêmio pode compensar em casos pontuais | Rebaixamentos de rating em alta |
| Multimercados | Neutro | ★★★☆☆ | Médio | Flexibilidade para atravessar volatilidade macro | Dispersão de performance entre gestores |
| Fundos imobiliários | Positivo (seletivo) | ★★★☆☆ | Médio e longo | Reprecificação recente torna ativos mais atrativos | Nova abertura da curva de juros |
| Ações brasileiras | Neutro | ★★★☆☆ | Médio e longo | Valuation descontado e prêmio de risco ampliado | Fiscal, eleições e ausência de catalisador |
| Small caps Brasil | Neutro a negativo | ★★☆☆☆ | Longo | Potencial de recuperação em ciclo futuro de corte de juros | Sensibilidade elevada a juros e crédito |
| Ações americanas | Positivo | ★★★★☆ | Médio e longo | Ciclo estrutural de investimento em inteligência artificial | Concentração setorial e múltiplos elevados |
| Ações internacionais fora dos Estados Unidos | Neutro | ★★★☆☆ | Médio e longo | Diversificação geográfica | Menor exposição a temas estruturais de crescimento |
| Mercados emergentes | Positivo (com cautela) | ★★★☆☆ | Médio | Valuation relativo atrativo | Dólar mais forte e Fed mais duro |
| Commodities (petróleo) | Neutro | ★★★☆☆ | Curto e médio | Normalização parcial pós-conflito | Reacendimento geopolítico |
| Ouro | Positivo | ★★★☆☆ | Médio e longo | Proteção de cauda estrutural | Alta de juros reais globais |
| Dólar e moedas | Neutro (viés de força tática) | ★★★☆☆ | Curto e médio | Retomada de correlação com juros curtos dos Estados Unidos | Reversão do tom do Fed |
| Alternativos | Positivo estrutural | ★★★☆☆ | Longo | Diversificação e acesso a temas estruturais | Iliquidez e seleção de gestor |
Fonte: matriz de convicção do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. Convicção em escala de uma a cinco estrelas.
9. Cenários prospectivos para os próximos seis a doze meses
As probabilidades somam 100% e refletem uma avaliação qualitativa, sujeita a revisão a cada comitê à luz de novos dados. Não são estatística, são disciplina de pensamento: escrevo o número para poder cobrar de mim mesmo depois.
Período: horizonte de seis a doze meses a partir de julho de 2026 Unidade: % de probabilidade por cenário
Leitura. O cenário-base concentra 55% da probabilidade: acordo entre Estados Unidos e Irã mantido, Fed com juros estáveis a levemente mais altos, e um último corte de Selic em agosto seguido de pausa. O ponto que mais importa no gráfico é a assimetria entre as caudas: o cenário pessimista tem 25% contra 20% do otimista. As probabilidades somam 100% e refletem avaliação qualitativa, sujeita a revisão a cada comitê. Escrevo o número para poder cobrar de mim mesmo depois, não porque seja uma medida estatística.
Fonte: cenários prospectivos do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. Probabilidades qualitativas. Reconstrução do gráfico pela Ocre Capital.Cenário-base, probabilidade estimada de 55%
Premissas. O acordo entre Estados Unidos e Irã se mantém sem novo choque relevante, o Fed sob Warsh mantém juros estáveis a levemente mais altos, e o Copom realiza um último corte em agosto e depois pausa.
Desdobramentos. O IPCA converge lentamente, encerra 2026 próximo a 5,2% e chega à meta apenas em 2028. A Selic fica em 14,00% ao final de 2026 e as Fed Funds entre 3,50% e 4,00%. O câmbio vai a R$ 5,00, com volatilidade elevada durante o processo eleitoral. O PIB brasileiro cresce 2,0% em 2026 e desacelera para 1,0% em 2027, com os Estados Unidos resilientes. O Ibovespa fica sem tendência definida no curto prazo, com prêmio de risco atrativo para horizonte mais longo. Na renda fixa, o pós-fixado segue como âncora, o indexado à inflação mantém juro real elevado e o prefixado tem ganho limitado nos vértices longos. O crédito segue sem estresse sistêmico, com dispersão crescente, e no exterior o dólar segue relativamente forte.
Cenário otimista, probabilidade estimada de 20%
Premissas. Resolução mais ampla do conflito no Oriente Médio, incluindo avanço na questão nuclear, Fed sinalizando que o tom mais duro foi pontual, e um ajuste fiscal crível se desenhando no Brasil ainda em 2026.
Desdobramentos. Convergência mais rápida da inflação nas duas geografias, com o IPCA se aproximando do centro da meta já em 2027. Abre espaço para retomada de cortes de Selic ainda em 2027, e o Fed inicia ciclo de corte no início de 2027. O real se aprecia para a faixa de R$ 4,80 a R$ 5,00, e a atividade brasileira surpreende sem gerar pressão inflacionária adicional. O Ibovespa passa por reprecificação estrutural, capturando o prêmio de risco hoje disponível, e a bolsa americana amplia a base de setores participantes. Há ganho de capital relevante em prefixados e indexados de duration mais longa, fechamento de spreads generalizado inclusive em emissores de maior risco, e dólar mais fraco favorecendo fluxo para emergentes.
Cenário pessimista, probabilidade estimada de 25%
Premissas. Reacendimento do conflito no Oriente Médio ou novo choque de oferta de petróleo, Fed mantendo ou intensificando o tom mais duro com juros efetivamente subindo nos Estados Unidos, e fiscal brasileiro se deteriorando mais rapidamente em meio ao ruído eleitoral.
Desdobramentos. O novo patamar de custos de energia se propaga, o IPCA supera 5,5% no Brasil e o PCE americano se aproxima de 4%. O Copom interrompe o ciclo de cortes e pode ser forçado a reavaliar a trajetória, enquanto o Fed eleva as Fed Funds em ao menos um movimento adicional. O real se deprecia para além de R$ 5,50, pressionado por saída de fluxo de emergentes e prêmio de risco fiscal e eleitoral mais alto. A atividade doméstica desacelera de forma mais acentuada em 2027, com efeitos sobre emprego e crédito. O Ibovespa sofre nova reprecificação negativa e a bolsa americana passa por correção mais ampla, sobretudo em setores de maior múltiplo. Há abertura adicional da curva nominal e real, perdas em prefixados e indexados longos, abertura de spreads mais ampla e dólar seguindo mais forte.
Observe que a soma dos cenários adversos, otimista à parte, é de 25% contra 20% do favorável. Não é pessimismo, é reconhecimento de que os riscos deste momento estão mais concentrados do lado ruim. É por isso que a recomendação de posicionamento é gradual, e não de uma vez.
10. Mapa de riscos
| Risco | Probabilidade | Impacto | Classes mais afetadas | Possível proteção |
|---|---|---|---|---|
| Deterioração fiscal brasileira | Média-alta | Alto | Prefixado longo, câmbio, bolsa doméstica | Redução de duration, maior peso em pós-fixado e dólar |
| Inflação persistente (Brasil e Estados Unidos) | Média-alta | Médio-alto | Prefixado, renda fixa global, small caps | Títulos indexados à inflação com duration moderada |
| Fed mais duro que o esperado | Média | Alto | Emergentes, câmbio, renda variável global | Proteção cambial tática e seletividade em renda variável internacional |
| Reacendimento do conflito no Oriente Médio | Média-baixa | Alto (cauda) | Petróleo, inflação global, renda variável | Exposição moderada a produtoras de petróleo, ouro como proteção |
| Ampliação de spreads de crédito | Média | Médio | Crédito privado de maior risco, fundos de crédito | Seletividade de emissor e preferência por alta qualidade |
| Ruído eleitoral de 2026 no Brasil | Alta | Médio-alto | Bolsa doméstica, câmbio, juros longos | Diversificação internacional e liquidez tática |
| Desaceleração da China | Os materiais não permitem estimar | Os materiais não permitem estimar | Commodities metálicas, emergentes | Diversificação setorial em commodities |
| Correção ampla em ativos de tecnologia e inteligência artificial globais | Média | Médio-alto | Ações americanas, ações globais | Diversificação setorial e geográfica dentro da renda variável global |
| Concentração excessiva em tecnologia (Estados Unidos) | Média | Médio | Ações americanas, fundos globais | Rebalanceamento para setores e regiões alternativas |
| Crise institucional ou intervenção política | Baixa-média | Alto (cauda) | Todos os ativos domésticos | Diversificação internacional estrutural |
Fonte: mapa de riscos do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026. Probabilidade e impacto são avaliações qualitativas.
Os três riscos que merecem maior monitoramento até o próximo comitê são, na minha ordem de prioridade: a trajetória fiscal brasileira, pelo potencial de reprecificar ao mesmo tempo câmbio, juros longos e bolsa; a postura do Fed sob a nova liderança, pelo efeito direto sobre dólar e apetite por risco em emergentes; e a evolução do quadro eleitoral brasileiro, que já se mostra determinante relevante do desempenho dos ativos domésticos mesmo antes do período eleitoral formal.
11. Mapa de oportunidades
| Oportunidade | Classe de ativo | Horizonte | Convicção | Catalisador | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|
| Prêmio de risco ampliado no Ibovespa | Ações brasileiras | Médio e longo | Moderada | Eventual sinalização fiscal ou eleitoral mais construtiva | Ausência de catalisador de curto prazo |
| Juro real elevado em títulos indexados à inflação | Renda fixa (inflação) | Médio e longo | Forte | Convergência gradual da inflação à meta | Volatilidade da inflação implícita longa |
| Reprecificação de fundos imobiliários de tijolo (lajes corporativas em São Paulo) | Fundos imobiliários | Médio | Moderada | Ocupação em alta e reajustes de aluguel via IGP | Nova abertura de juros |
| Seleção em crédito privado de qualidade com spread ampliado | Crédito privado | Curto e médio | Moderada | Estabilização do custo de capital dos emissores | Contágio de setores mais fracos |
| Exposição seletiva a temas de investimento em inteligência artificial (infraestrutura, energia, data centers) | Ações americanas e globais | Médio e longo | Forte | Resultados corporativos confirmando monetização dos investimentos | Múltiplos elevados e concentração setorial |
| Produtoras de petróleo e petroquímicas com geração de caixa livre em expansão | Commodities e ações setoriais | Curto e médio | Moderada | Normalização do preço em patamar ainda acima do histórico | Reversão adicional do preço do petróleo |
Fonte: mapa de oportunidades do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026.
A relação entre risco e retorno nessas oportunidades é atrativa na medida em que combina, em graus distintos, desconto de preço já observável, no caso da bolsa doméstica e dos fundos imobiliários, com temas estruturais ainda em curso, no caso de inteligência artificial e energia. Nenhuma delas deve ser interpretada como garantia de retorno: em todos os casos, a materialização depende de catalisadores específicos e está sujeita aos riscos listados.
12. Movimentos potenciais por perfil de risco
Os percentuais abaixo são das carteiras recomendadas pela XP e servem como referência de estrutura, não como prescrição para o seu caso.
Perfil conservador
Priorizar. Pós-fixado e títulos indexados à inflação de menor duration, com forte ênfase em qualidade de crédito.
Manter. A estrutura atual da carteira recomendada pela XP, com pós-fixado em cerca de 72,5%, inflação em cerca de 12,5% e prefixado em cerca de 5,0%, sem alterações relevantes no mês.
Pode ser aumentado gradualmente. Exposição pontual a fundos imobiliários de papel de alta qualidade, dado o carrego atrativo em ambiente de juros elevados.
Deve ser reduzido. Exposição residual a crédito privado de maior risco ou de baixa liquidez, caso exista.
Deve ser evitado. Alongamento de duration em prefixados e ativos de renda variável fora das bandas definidas para o perfil.
Liquidez e duration. Liquidez elevada, dado o objetivo primário de preservação de capital, e duration curta a moderada.
Principais riscos. Custo de oportunidade caso os juros caiam mais rápido que o esperado, e exposição residual a crédito de baixa qualidade.
Perfil moderado
Priorizar. Diversificação equilibrada entre renda fixa, multimercados, renda variável doméstica e fundos listados, conforme a carteira recomendada pela XP, com pós-fixado em cerca de 35,5%, inflação em cerca de 22,5%, multimercados em cerca de 14,0% e renda variável Brasil em cerca de 5,0%.
Manter. A exposição a multimercados como fonte de diversificação ativa em ambiente de maior incerteza macro.
Pode ser aumentado gradualmente. Exposição seletiva a ações brasileiras de qualidade, aproveitando o prêmio de risco ampliado, e a fundos imobiliários de tijolo bem localizados.
Deve ser reduzido. Concentração eventual em crédito privado de maior risco ou em veículos únicos acima dos limites recomendados.
Deve ser evitado. Migração para um perfil mais arrojado apenas em busca de performance adicional.
Liquidez e duration. Liquidez moderada, preservando capacidade de rebalanceamento tático, e duration moderada.
Principais riscos. Volatilidade de bolsa doméstica no curto prazo e dispersão de performance entre gestores de multimercados.
Perfil arrojado
Priorizar. Maior peso relativo em renda variável, no Brasil e no exterior, multimercados e alternativos, conforme a carteira recomendada pela XP, com renda variável Brasil em cerca de 15,0%, alternativos em cerca de 7,0% e fundos listados em cerca de 9,5%.
Manter. A diversificação internacional, inclusive a exposição a temas estruturais de inteligência artificial via ações globais.
Pode ser aumentado gradualmente. Alternativos ilíquidos, como crédito estruturado, private equity e venture capital, para investidores com horizonte e tolerância à iliquidez compatíveis, e small caps brasileiras em posições estruturais de longo prazo.
Deve ser reduzido. Concentração excessiva em um único tema ou setor, mesmo dentro da parcela de maior risco.
Deve ser evitado. Alavancagem ou uso de derivativos além do que o perfil de suitability permite, e concentração além dos limites por emissor, fundo ou veículo.
Liquidez e duration. Liquidez menor que nos demais perfis, ainda assim preservando um colchão para necessidades e para aproveitar oportunidades táticas, e duration mais longa, especialmente na parcela indexada à inflação e em alternativos.
Principais riscos. Maior volatilidade e drawdown em cenários de estresse, e vale registrar que a carteira sofisticada foi a única das três a registrar retorno mensal negativo em junho. Some a isso a iliquidez em alternativos.
Se você nunca definiu formalmente o seu perfil e o seu horizonte, essa é a conversa que precede qualquer decisão de alocação, e é por ali que sugiro começar.
13. Rebalanceamentos que podem ser avaliados
| Movimento potencial | Racional | Perfil aplicável | Urgência | Condição para execução |
|---|---|---|---|---|
| Avaliar aumento em fundos imobiliários de lajes corporativas em São Paulo | Reprecificação recente cria entrada mais atrativa em ativos com fundamentos operacionais em melhora | Moderado e arrojado | Gradual | Confirmação de estabilização da curva de juros doméstica |
| Avaliar aumento seletivo em ações brasileiras de qualidade | Prêmio de risco do Ibovespa ampliado por ajuste de valuation | Moderado e arrojado | Gradual | Sinalização mais clara sobre trajetória fiscal ou eleitoral |
| Manter pós-fixado acima do neutro em todos os perfis | Carrego elevado e defensivo em ambiente de Selic restritiva | Todos | Sem urgência | Reavaliação apenas se houver mudança relevante na trajetória da Selic |
| Avaliar redução em crédito privado de maior risco e menor qualidade | Aumento de rebaixamentos de rating e dispersão idiossincrática | Todos | Nas próximas semanas | Identificação de deterioração específica de emissor ou setor |
| Aguardar antes de alongar duration em prefixados | A curva ainda reflete incerteza fiscal e eleitoral genuína, não apenas distorção técnica | Todos | Sem urgência | Sinal mais consistente de ancoragem fiscal ou eleitoral |
| Evitar novas alocações relevantes em FIAgro | Desafios de crédito no agronegócio e baixa visibilidade de normalização | Todos | Sem urgência | Melhora visível nos indicadores de crédito do setor |
| Avaliar aumento gradual em proteção cambial tática | O dólar retoma correlação com juros curtos dos Estados Unidos e pode seguir se fortalecendo | Moderado e arrojado | Nas próximas semanas | Confirmação de manutenção do tom mais duro do Fed |
Fonte: deliberações do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026.
Nenhum desses movimentos é recomendado de forma imediata ou generalizada. Cada avaliação de rebalanceamento precisa considerar custos de saída, carência, liquidez, marcação a mercado, tributação, concentração, qualidade de crédito, prazo e objetivo específico antes de qualquer execução. É também por isso que insisto em olhar o custo total da carteira antes de mexer nela, tema que trato no raio-x de custos.
14. O que não fazer neste cenário
| Erro potencial | Por que prejudica o patrimônio |
|---|---|
| Perseguir a rentabilidade passada, por exemplo aumentar exposição a ativos ligados à inteligência artificial apenas pelo desempenho acumulado | Retornos passados não garantem retornos futuros, e comprar após forte valorização reduz a margem de segurança do investimento. |
| Vender ativos após queda sem reavaliar fundamentos, como fundos imobiliários depois da abertura da curva | Pode cristalizar perdas justamente quando o valuation se torna mais atrativo, caso os fundamentos operacionais permaneçam saudáveis. |
| Comprar ativos apenas porque caíram | Queda de preço não é sinônimo de ativo barato. É preciso separar reprecificação por risco genuíno de mero desconto técnico. |
| Alongar duration sem prêmio suficiente | Em cenário de incerteza fiscal e eleitoral, o prêmio adicional nos vencimentos mais longos pode não compensar a volatilidade assumida. |
| Assumir risco de crédito excessivo em busca de carrego marginal | O aumento de rebaixamentos de rating no período sugere que o risco idiossincrático está subindo, não caindo. |
| Concentrar patrimônio em poucos emissores, fundos ou temas | Eleva a exposição a eventos idiossincráticos que poderiam ser diversificados sem custo relevante de retorno esperado. |
| Eliminar a diversificação internacional diante de volatilidade cambial de curto prazo | Reduz a proteção estrutural do portfólio contra riscos domésticos específicos, como o ciclo eleitoral brasileiro. |
| Aumentar dólar apenas após forte valorização recente | Comprar proteção cambial depois do movimento já ocorrido reduz sua eficácia como proteção e pode configurar perseguição de preço. |
| Reduzir liquidez de forma excessiva em busca de retorno adicional | Compromete a capacidade de atender necessidades e de aproveitar oportunidades táticas que podem surgir. |
| Girar patrimônio sem necessidade | Gera custos de transação, tributação e potencial perda de qualidade de crédito ou prazo, sem ganho compensador de risco e retorno. |
| Tentar acertar exatamente o momento do mercado | A tentativa de timing preciso tende a gerar mais custo, por erros de entrada e saída, do que benefício, especialmente em cenários de alta incerteza como o atual. |
| Desrespeitar o horizonte de investimento definido para cada objetivo | Descasamentos entre horizonte e alocação aumentam a probabilidade de resgates em momentos desfavoráveis de mercado. |
| Ultrapassar o perfil de risco em busca de retorno adicional | Expõe a drawdowns incompatíveis com a tolerância e o horizonte declarados, com potencial de decisões emocionais no pior momento do ciclo. |
Fonte: seção de erros recorrentes do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026.
Reparo que a maior parte desses erros tem a mesma origem: tratar o mercado como fonte de retorno de curto prazo, em vez de tratar a carteira como meio para um objetivo de longo prazo. Quando o objetivo é independência financeira, o custo de errar o horizonte é maior que o custo de errar o ativo.
15. Indicadores para acompanhar até o próximo comitê
| Indicador | Motivo da importância | Nível que alteraria o cenário | Classes impactadas |
|---|---|---|---|
| IPCA e IPCA-15 | Confirmam ou não a desaceleração sinalizada pelo IPCA-15 de junho | Alta acima de 5,5% em 12 meses no Brasil | Prefixado, inflação, câmbio, Selic |
| Inflação de serviços e de bens industrializados | Indica se o repasse do choque de petróleo está se espalhando ou arrefecendo | Reaceleração combinada de ambos os componentes | Renda fixa, ações domésticas |
| Decisão do Copom de agosto | Definirá se o último corte projetado, para 14,00%, se confirma | Manutenção da Selic sem corte, ou corte maior que 25 pontos-base | Toda a renda fixa doméstica |
| Dados fiscais (resultado primário e dívida bruta) | Termômetro direto do principal risco estrutural doméstico | Deterioração acima do projetado, de -0,4% do PIB em 2026 | Câmbio, juros longos, bolsa |
| CPI e PCE americanos | Confirmam ou não a alta projetada pelo próprio Fed para 2026 | PCE acima de 3,6% ou aceleração do núcleo | Dólar, Treasuries, ações globais |
| Payroll americano | Sinaliza se a resiliência do mercado de trabalho dos Estados Unidos se mantém | Criação de empregos muito abaixo do recente ou forte alta do desemprego | Fed, dólar, ações americanas |
| Comunicação e decisões do Fed | Confirma se o tom mais duro de Warsh se mantém nas próximas reuniões | Sinalização efetiva de alta de juros, não apenas discurso | Dólar, emergentes, renda fixa global |
| Treasuries de 2 e 10 anos | Refletem a magnitude da reprecificação de expectativas sobre o Fed | Alta continuada acima do observado em junho | Custo de capital global, dólar |
| Preço do petróleo (Brent) | Indicador direto do grau de normalização pós-conflito no Oriente Médio | Retorno acima de US$ 100 por barril | Inflação global, ações de energia |
| Fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira | Sinaliza eventual retomada de apetite por risco Brasil | Reversão consistente para fluxo comprador | Ibovespa, câmbio |
| Spreads de crédito privado | Medem o grau de estresse ou tranquilidade no mercado de crédito doméstico | Abertura generalizada de spreads, mesmo em emissores de qualidade | Crédito privado, fundos de crédito |
| Resultados corporativos (temporada de balanços) | Testa se as empresas ligadas à inteligência artificial confirmam monetização dos investimentos | Resultados abaixo do esperado nas principais empresas de tecnologia | Ações americanas e globais |
Fonte: painel de monitoramento do comitê interno da Ocre Capital, data-base 30/06/2026.
16. Conclusão do comitê
Leitura central do cenário
O alívio geopolítico no Oriente Médio reduziu um risco de cauda relevante, mas a comunicação mais dura do novo Fed e a sinalização de cautela do Copom mudaram, na margem, a trajetória esperada de juros globais e domésticos para os próximos meses. O ambiente ficou ligeiramente menos acomodatício.
O ambiente ficou mais ou menos favorável
Marginalmente menos favorável para ativos de risco no curto prazo, dado o recuo na probabilidade de flexibilização monetária adicional nos dois lados do Equador.
Onde estão os melhores prêmios de risco
No prêmio de risco ampliado da bolsa brasileira, no juro real elevado dos títulos indexados à inflação e na reprecificação recente de fundos imobiliários de qualidade.
Onde é preciso maior cautela
Em crédito privado de menor qualidade, em alongamentos de duration em prefixados domésticos e americanos, e em qualquer posicionamento direcional forte sobre a China, dada a limitação de informação disponível que registrei acima.
Momento de aumentar, manter ou reduzir risco
Manter o nível de risco calibrado nas carteiras recomendadas pela XP, sem necessidade de movimentos amplos. Eventuais ajustes devem ser pontuais e graduais, conforme a seção de rebalanceamentos.
Movimentos que podem ser avaliados
Aumento gradual e seletivo em fundos imobiliários de lajes corporativas e em ações brasileiras de qualidade, redução gradual em crédito privado de menor qualidade, e avaliação de proteção cambial tática adicional.
O que não deve ser alterado
A proporção estrutural de pós-fixado como âncora defensiva, a diversificação internacional e os limites de concentração por emissor, fundo e veículo definidos para cada perfil.
Mensagem principal
O cenário pede disciplina, não inércia. Os portfólios seguem bem calibrados para um ambiente de juros altos por mais tempo, e as poucas oportunidades identificadas devem ser capturadas de forma gradual e seletiva, sem abrir mão da diversificação e da qualidade que protegem o patrimônio nos cenários mais adversos.
17. Conversa com você investidor
Esta é a parte do comitê que uso nas reuniões. Escrevi para ser lida em voz alta em cerca de cinco minutos, sem jargão.
O que aconteceu. Nos últimos meses você viveu um período de forte volatilidade geopolítica. O conflito no Oriente Médio levou o Brent a perto de US$ 120 por barril, e depois veio um acordo que trouxe alívio importante, ainda que parcial, em junho. O barril voltou para cerca de US$ 70, e mesmo assim segue cerca de 20% acima do começo do ano. Ao mesmo tempo, houve a estreia de uma nova liderança no banco central americano, com tom mais rígido do que o mercado esperava, e o nosso Banco Central continuou cortando juros, mas com mais cautela.
O que mudou de verdade. Mudou a percepção sobre o ritmo de queda dos juros, aqui e nos Estados Unidos. Até pouco tempo atrás o mercado trabalhava com juros caindo de forma mais consistente. Hoje essa trajetória ficou mais lenta e mais incerta. No Brasil, a Selic caiu para 14,25%, e a leitura predominante é que resta talvez um corte em agosto, com a taxa parando perto de 14,00% no fim do ano. Nos Estados Unidos, o movimento foi ainda mais nítido: o mercado saiu de esperar cortes para considerar dois aumentos ainda em 2026.
Como isso afeta os seus investimentos. Na prática, reforça o valor de manter parcela relevante em renda fixa pós-fixada, que remunera bem sem depender de nenhum acerto de cenário. E exige mais seletividade na parcela de bolsa e de crédito, onde a diferença entre bons e maus ativos aumentou.
O que eu monitoro. Três coisas. O quadro fiscal brasileiro, porque a dívida bruta segue em trajetória de alta e é o que mexe com juros longos, câmbio e bolsa ao mesmo tempo. O calendário eleitoral, que já influencia preços antes de a campanha começar. E a postura do novo presidente do banco central americano nas próximas reuniões, para saber se o tom mais duro era estreia ou é regra. Nenhum desses pontos, isoladamente, exige mudança de rota.
Onde vejo oportunidade. A bolsa brasileira e alguns fundos imobiliários de qualidade estão com preços mais atrativos do que há alguns meses, refletindo mais um ajuste de preço do que uma piora de fundamentos. O caso que mais me interessa é o de lajes corporativas em São Paulo, onde a ocupação sobe e os reajustes de aluguel ajudam. São oportunidades para capturar de forma gradual, sem pressa e sem abrir mão da qualidade.
Onde eu prefiro ficar de fora. Em crédito privado de emissores mais frágeis, porque o número de rebaixamentos de rating subiu. Em prazos muito longos de prefixado, porque o prêmio adicional não me parece pagar a volatilidade que vem com ele. E em qualquer aposta direcional sobre a China, porque não tenho material suficiente para uma leitura firme sobre o país neste mês, e prefiro registrar isso a fingir convicção.
Por que a estratégia se mantém. Faço ajustes pontuais e graduais onde faz sentido, e não vejo necessidade de mudanças amplas. Em ambientes de maior incerteza, a disciplina costuma valer mais do que a movimentação, e cada movimentação tem custo, imposto e risco de execução.
A mensagem de longo prazo. Períodos como este, de juros altos e notícias voláteis, são também os que mais recompensam paciência e diversificação. O meu trabalho é proteger o patrimônio nos momentos mais incertos, para que ele esteja pronto quando as oportunidades amadurecerem.
Registro uma observação de calendário: este é o primeiro comitê da série documentada neste formato. A partir do mês seguinte, esta seção passa a incorporar a evolução das teses, as mudanças de convicção e os riscos identificados nos comitês anteriores, o que permite consolidar de fato os últimos três meses nas reuniões trimestrais.
18. Resumo
- A Selic está em 14,25% após corte de 25 pontos-base, e o Copom elevou sua projeção de IPCA no horizonte relevante de 3,5% para 3,7%, com assimetria altista declarada. O cenário-base da XP é um último corte em agosto e Selic a 14,00% no fim de 2026.
- O Fed sob Warsh manteve juros entre 3,50% e 3,75% e elevou o PCE de 2026 de 2,7% para 3,6% e a mediana de juros de 3,4% para 3,8%. O mercado passou a precificar dois aumentos ainda em 2026.
- O petróleo Brent caiu de um pico próximo a US$ 120 para cerca de US$ 70 por barril, e ainda assim segue cerca de 20% acima do início do ano.
- A projeção da XP para o IPCA de 2026 é de 5,2%, com convergência ao centro da meta projetada pelo Banco Central apenas no primeiro trimestre de 2028.
- O fiscal é a vulnerabilidade estrutural: déficit primário projetado de 0,4% do PIB em 2026 e dívida bruta saindo de 83,3% para 88,2% do PIB entre 2026 e 2027.
- Junho foi negativo para renda fixa indexada e fundos listados, com o IMA-B em queda de 1,0% e o IFIX em queda de 1,2%, enquanto o DXY subiu 2,3%.
- Renda fixa é a única frente verde do semáforo. Todas as outras estão amarelas, e nenhuma está vermelha.
- A decisão do mês é paciência disciplinada, com rebalanceamentos táticos graduais e condicionais, não uma mudança de rota.
19. Deliberações do comitê
Manter
- Pós-fixado acima do neutro, todos os perfis, horizonte curto e médio. Carrego elevado e defensivo com Selic restritiva. Mudaria a decisão: início de ciclo consistente de corte de juros.
- Multimercados, perfis moderado e arrojado, horizonte médio. Diversificação ativa em ambiente de incerteza macro. Mudaria a decisão: mudança relevante na qualidade média dos gestores acompanhados.
- Diversificação internacional estrutural, todos os perfis, horizonte longo. Proteção contra riscos domésticos idiossincráticos. Nenhuma condição de curto prazo deve alterar esta diretriz.
Monitorar
- Crédito privado, todas as qualidades, todos os perfis, horizonte curto e médio. Aumento de rebaixamentos de rating e dispersão setorial. Mudaria a decisão: sinais de deterioração adicional em setores específicos.
- Curva de juros americana e comunicação do Fed, todos os perfis, horizonte curto. Definirá o grau de aperto monetário global nos próximos meses. Mudaria a decisão: confirmação ou reversão do tom mais duro de Warsh.
- Cenário eleitoral brasileiro, todos os perfis, horizonte médio. Já influencia preços de ativos domésticos antes do período eleitoral formal. Mudaria a decisão: sinalizações mais claras sobre a política fiscal dos candidatos.
Avaliar aumento
- Fundos imobiliários de lajes corporativas em São Paulo, perfis moderado e arrojado, horizonte médio. Reprecificação recente com fundamentos operacionais em melhora. Condição: estabilização da curva de juros doméstica.
- Ações brasileiras de qualidade, perfis moderado e arrojado, horizonte médio e longo. Prêmio de risco ampliado por ajuste de valuation. Condição: sinalização mais construtiva sobre fiscal ou eleições.
Avaliar redução
- Crédito privado de maior risco e menor qualidade, todos os perfis, horizonte curto e médio. Aumento de rebaixamentos de rating e de risco idiossincrático. Mudaria a decisão: estabilização dos indicadores de crédito setoriais.
Evitar
- Novas alocações relevantes em FIAgro, todos os perfis, horizonte curto e médio. Desafios de crédito no agronegócio e baixa visibilidade de normalização. Mudaria a decisão: melhora visível nos indicadores de crédito do setor.
- Alongamento de duration em prefixados sem prêmio adicional, todos os perfis, horizonte médio. A curva ainda reflete incerteza fiscal e eleitoral genuína. Mudaria a decisão: sinal mais consistente de ancoragem fiscal.
- Posicionamento direcional forte sobre a China, todos os perfis. A informação disponível nos materiais é insuficiente para uma tese sólida. Mudaria a decisão: disponibilidade de informação mais completa sobre o país.
Esta é uma edição do arquivo. A leitura mais recente do cenário está sempre em Comitê Mensal de Investimentos. O mês seguinte a este está em Comitê de agosto de 2026.
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Este material analisa o cenário, não carteiras individuais. A tradução disso para o seu caso depende dos seus objetivos, do seu horizonte e do seu perfil de risco, e essa conversa é individual.
Sou Sérgio Ferreirinha, CFP, sócio da Ocre Capital, uma assessoria de investimentos credenciada à XP. Meu modelo de remuneração é fee-based, com honorário ligado ao patrimônio assessorado e comissões recebidas pela distribuição de produtos devolvidas ao cliente. Você pode ver quem eu sou e como funciona o atendimento antes de qualquer conversa.
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