Quanto ganha o 1% mais rico do Brasil, segundo o IBGE

O 1% mais rico teve renda média de R$ 24.973 por pessoa em 2025. Numa família de quatro, são uns R$ 100 mil por mês.

Sérgio Ferreirinha

Sérgio FerreirinhaCFP®

Cofundador da Ocre Capital e editor do Acorda Investidor

Mais de 15 anos no mercado financeiro, com passagens por XP, Guide Investimentos e Banco Safra.

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Iate de luxo no mar

Quase todo mundo que ganha bem acha que está na classe média. E quase todo mundo erra a própria posição. Os dados do IBGE para 2025 mostram onde fica o topo da renda no Brasil, e a linha é mais baixa do que parece.

O 1% mais rico do país teve renda média de R$ 24.973 por pessoa, por mês, em 2025. Numa casa com quatro pessoas, isso significa uns R$ 100 mil por mês somando todas as rendas. E uma família de quatro que ganha R$ 36 mil já está na média dos 10% mais ricos.

Renda média mensal por pessoa do 1% mais rico do Brasil em 2025

R$ 24.973

Onze vezes a média do país, que foi de R$ 2.264, a maior da série histórica do IBGE.

1. Como o IBGE mede a renda

O número que o IBGE divulga é a renda domiciliar per capita. Ele soma tudo o que entra na casa (salários, aposentadorias, aluguéis, pensões, benefícios) e divide pelo número de moradores, incluindo as crianças. É por isso que os valores parecem baixos à primeira vista: uma família de quatro pessoas com R$ 20 mil de renda tem R$ 5 mil per capita.

Outro detalhe importante: os valores de cada faixa são médias do grupo, e não o piso para entrar nele. O menor rendimento do 1% mais rico é menor do que R$ 24.973. Os números servem para comparar ordens de grandeza, não para traçar uma linha exata.

2. A pirâmide da renda em 2025

Grupo Renda média mensal por pessoa
10% mais pobres R$ 268
Média do Brasil R$ 2.264
10% mais ricos R$ 9.117
1% mais rico R$ 24.973
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, Rendimento de todas as fontes 2025.
Gráfico de barras com a renda média mensal por pessoa no Brasil em 2025: R$ 268 nos 10% mais pobres, R$ 2.264 na média do país, R$ 9.117 nos 10% mais ricos e R$ 24.973 no 1% mais rico.

A renda do 1% mais rico cresceu 9,9% em 2025, e a dos 10% mais ricos, 8,7%. Como o topo cresceu mais que a base, a desigualdade voltou a subir: o índice de Gini passou de 0,504 em 2024, o menor da série, para 0,511.

A concentração continua forte. Os 10% mais ricos ficaram com 40,3% de toda a renda das famílias. Os 70% de baixo, somados, ficaram com 32,8%.

3. Quanto a sua família precisa ganhar para estar no topo

Multiplicando a média de cada grupo pelo número de moradores, dá para ter uma ideia de quanto uma casa precisa ganhar, somando todas as rendas, para estar na média de cada faixa:

Moradores Média do Brasil Média dos 10% mais ricos Média do 1% mais rico
1 R$ 2.264 R$ 9.117 R$ 24.973
2 R$ 4.528 R$ 18.234 R$ 49.946
3 R$ 6.792 R$ 27.351 R$ 74.919
4 R$ 9.056 R$ 36.468 R$ 99.892
Renda mensal total da casa. Elaboração própria com dados do IBGE 2025.

Um casal sem filhos que ganha R$ 50 mil por mês está na média do 1% mais rico. Uma família de quatro com a mesma renda está entre as médias dos 10% e do 1%. O número de pessoas que vivem daquela renda muda tudo.

4. Por que o topo de verdade é ainda maior

A PNAD é uma pesquisa por amostra, feita em entrevistas. Ela é ótima para medir a renda da maior parte da população, mas capta mal o topo: quem ganha muito aparece pouco na amostra e costuma declarar menos renda de capital, como lucros e dividendos.

Os dados do Imposto de Renda mostram a outra ponta. Levantamento do Observatório de Política Fiscal da FGV com as declarações até 2023 aponta que o 1% mais rico recebeu 24,3% de toda a renda do país, contra 20,4% em 2017. E cerca de dois terços do crescimento da renda no topo veio de lucros e dividendos, ou seja, de patrimônio.

5. Estar no 1% não é ser rico

Aqui está o ponto que interessa para quem me lê. Muita gente que está no topo da renda vive exclusivamente do salário e não tem patrimônio para se manter um ano sem ele. É renda de rico com fragilidade de classe média.

Renda mede o que entra. Riqueza mede o que fica. Uma família que ganha R$ 60 mil por mês e gasta R$ 58 mil está em posição mais frágil do que uma que ganha R$ 25 mil, gasta R$ 15 mil e investe a diferença há dez anos. O primeiro número aparece na pesquisa do IBGE; o segundo aparece na liberdade de escolher.

Um teste simples: divida o seu patrimônio investido pelo custo de vida mensal da família. O resultado é quantos meses vocês vivem se todas as rendas pararem hoje. Para quem está no topo da renda, menos de 36 meses é sinal de alerta.

Se quiser comparar o seu patrimônio com o de outras pessoas, e não só a renda, veja o patrimônio do brasileiro acima da média. E para saber quanto é preciso para viver de renda, quanto você precisa para se aposentar no Brasil.

ACORDA: três perguntas para quem está no topo da renda

  1. Por quantos meses a sua família se mantém sem nenhuma renda? Esse é o número que mede segurança, não o salário.
  2. Quanto da sua renda vira patrimônio todo mês? Renda alta com poupança baixa não muda de faixa na riqueza.
  3. Quanto da sua renda vem de patrimônio? No topo do topo, é a maior parte. Na maioria dos altos salários, é zero.

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Fontes

  • Renda domiciliar per capita de 2025 por faixa, participação dos 10% mais ricos e índice de Gini: IBGE, PNAD Contínua, Rendimento de todas as fontes 2025, divulgado em maio de 2026. Resumo em InfoMoney.
  • Concentração de renda no topo pelos dados do IRPF: Observatório de Política Fiscal, FGV Ibre.
  • Inspiração: Financial Samurai, “How Much Money Do The Top Income Earners Make?”.

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Sérgio Ferreirinha

Quem assina

Sérgio Ferreirinha

Cofundador da Ocre Capital e editor do Acorda Investidor

CFP® · Assessor de investimentos certificado Ancord · Administração pela PUC-SP

Trabalha no mercado financeiro há mais de 15 anos. Passou por Interfloat, XP, Guide Investimentos e Banco Safra, em cargos comerciais e de liderança ligados a investimentos e expansão de negócios. Hoje é cofundador da Ocre Capital, assessoria de investimentos credenciada à XP que trabalha no modelo fee-based: a remuneração vem do patrimônio assessorado, e as comissões pagas pelos produtos são devolvidas ao cliente.

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