Nas conversas sobre independência financeira, quase todo mundo calcula aluguel, mercado, escola e viagens. Pouca gente coloca na conta o item que mais muda de preço quando se sai da empresa: o plano de saúde.
Dentro da CLT, ele parece barato, porque a empresa paga a maior parte e negocia o contrato. Fora dela, a conta é sua, e o reajuste também. Em 2026, enquanto o teto da ANS para planos individuais ficou em 5,11%, os contratos coletivos de pequenas empresas tiveram reajuste médio de 13,48%.
Reajuste médio dos planos coletivos com até 29 vidas em 2026
13,48%
Nos contratos com 30 vidas ou mais, a média foi de 8,71%. Nos individuais, o teto da ANS ficou em 5,11%.
Neste artigo
1. O que a lei garante a quem sai da empresa
A Lei 9.656/1998 dá um período de transição para quem deixa a empresa, desde que a pessoa pagasse parte da mensalidade (a coparticipação em consultas e exames não conta):
| Situação | Direito |
|---|---|
| Demitido sem justa causa | Manter o plano por um terço do tempo de contribuição, com mínimo de 6 e máximo de 24 meses |
| Aposentado com 10 anos ou mais de contribuição | Manter o plano por tempo indeterminado |
| Aposentado com menos de 10 anos | Um ano de plano para cada ano de contribuição |
Em todos os casos, você passa a pagar o valor integral, incluindo a parte que a empresa pagava. O direito termina se você for contratado por outra empresa que ofereça plano. Para quem pede demissão, a lei não garante a permanência.
2. As opções de quem está por conta própria
- Plano individual ou familiar: o único com reajuste anual limitado pela ANS. A desvantagem é que poucas operadoras ainda vendem, e o preço de entrada costuma ser maior.
- Coletivo por adesão: contratado por meio de uma entidade de classe, conselho profissional ou associação. O reajuste é livre, negociado entre a operadora e a entidade.
- Empresarial pelo CNPJ: para quem tem MEI ou empresa. O preço de entrada é menor, mas o reajuste segue a regra dos contratos pequenos, que foi a mais alta em 2026.
- Plano da antiga empresa: pelos prazos da lei, funciona como ponte enquanto você escolhe o definitivo.
Não existe opção barata e estável ao mesmo tempo. O plano individual dá previsibilidade, o empresarial dá preço de entrada. A escolha depende de quanto tempo você pretende ficar no plano e de quanto risco de reajuste aguenta.
3. Como trocar de plano sem cumprir carência
A portabilidade de carências, regulada pela RN 438/2018 da ANS, permite mudar de plano sem começar a contar a carência do zero. Na primeira troca, é preciso ter pelo menos dois anos no plano atual (três, se houve cobertura parcial temporária para doença preexistente), estar com as mensalidades em dia e escolher um plano de faixa de preço compatível. Nas trocas seguintes, o prazo mínimo cai para um ano.
Na prática, isso permite usar o plano da antiga empresa ou um plano empresarial pelo CNPJ como ponte e migrar depois, sem ficar descoberto.
4. O que perguntar antes de contratar
- Qual foi o reajuste deste contrato nos últimos três anos? Em plano coletivo, o histórico vale mais que a promessa.
- Como funcionam as faixas etárias? A última faixa começa aos 59 anos e não pode custar mais de seis vezes a primeira.
- Tem coparticipação? Mensalidade menor pode virar conta maior no uso.
- A rede inclui os médicos e hospitais que você usa? Confira pelo nome.
- Posso usar a portabilidade para entrar neste plano?
Peça o preço do plano para ex-funcionário antes de sair da empresa. Ele costuma custar bem mais do que o desconto que aparecia no contracheque, porque a parte da empresa passa a ser sua.
5. O plano de saúde na conta da liberdade
Para quem planeja parar de trabalhar, o plano de saúde é um dos poucos custos que sobem com certeza: pelo reajuste anual e pelas faixas de idade. Um plano de R$ 2.500 por mês custa R$ 30 mil por ano. Com uma retirada de 4% ao ano, só esse item exige cerca de R$ 750 mil de patrimônio.
Por isso, o plano precisa entrar no cálculo de quanto você precisa para se aposentar e no plano de quem quer sair de um emprego bem pago, como mostramos em algemas de ouro. Com folga.
ACORDA: três perguntas antes de sair da empresa
- Quanto o seu plano vai custar no mês seguinte à saída? Peça o valor por escrito.
- Você tem direito a manter o plano, e por quanto tempo?
- O custo do plano está no seu número de liberdade? Se não está, o número está errado.
O seu patrimônio já cobre o custo da sua liberdade?
Me mande a sua carteira e eu devolvo a conta: quanto ela custa por ano e quanto falta para cobrir o seu custo de vida, com o plano de saúde incluído. Você recebe a conta, não uma oferta de produto.
Fontes
- Reajuste máximo dos planos individuais 2026/2027 (5,11%) e reajuste médio dos planos coletivos em 2026: ANS, divulgação de maio de 2026.
- Manutenção do plano para demitidos e aposentados: Lei 9.656/1998, artigos 30 e 31, e RN 488/2021 da ANS.
- Portabilidade de carências: RN 438/2018 da ANS. Faixas etárias: RN 63/2003.
- Inspiração: Financial Samurai, “Cheap Health Insurance Options For The Unemployed, Self-Employed, Or Early Retiree”.
- Conteúdo informativo. Regras podem mudar: confira na ANS antes de decidir.



